No Brasil, foi só por volta de 1997 que as grandes companhias pararam de produzir discos de vinil. Assim, quem nasceu antes disso provavelmente teve contato com uma vitrola antiga ou com um toca-discos. Você se lembra dessa época? Bons tempos!

Quem conheceu o som analógico, por vezes, ainda o considera melhor do que o som digital. Por isso, muitos fãs de música são saudosos do tempo em que havia todo um ritual para selecionar o disco da vez, colocá-lo no aparelho e posicionar cuidadosamente a agulha para começar a aproveitar o momento.

Se você faz parte desse grupo de saudosistas, é provável que goste bastante desse post: um resgate da história das vitrolas e dos toca-discos de vinil. E com um bônus sobre como qual é a situação desses aparelhos hoje!

Vitrola e toca-discos são a mesma coisa?

Antes de qualquer coisa, uma pergunta: você sabia que uma vitrola antiga é diferente de um toca-discos? Muita gente pensa que as palavras são como sinônimos e que os aparelhos são iguais, mas não é bem assim.

A diferença básica é que a vitrola consiste em um único aparelho que tem tudo ― caixas de som e controles ―  acoplado em um mesmo bloco. Já o toca-discos tem compartimentos separados.

Historicamente, a vitrola surgiu primeiro e esse esclarecimento é importante para que você consiga acompanhar nosso resgate histórico sem nenhuma dúvida.

A escolha entre um e outro depende do gosto de cada um e, claro, da análise das características técnicas. A dica é avaliar bem as opções tentando não se deixar levar por aquelas que são apenas bonitas, mas que não oferecem o que você realmente precisa. Esta é uma conversa para outra hora, porém!

Vitrolas e toca-discos: a origem

O aparelho que serviu de base para a criação da primeira vitrola se chamava gramofone, criado pelo alemão Emile Berliner. Mas tudo começou com o americano Thomas Edison ― sim, aquele mesmo que inventou a lâmpada.

O fonógrafo

Em 1887, o Thomas Edison desenvolveu um aparelho que recebeu o nome de fonógrafo. Era a primeira invenção da história que tinha capacidade para gravar e reproduzir áudio e dependia de um cilindro e de uma agulha para funcionar.

À medida que alguém falava, o aparelho girava e a agulha formava sulcos ou marcas na folha de estanho que cobria o cilindro. Depois, bastava acionar o mecanismo para que o aparelho girasse na direção contrária para ouvir a gravação.

Como é de se imaginar, músicos e outros agentes do mercado ficaram muito interessados na invenção, mas havia um detalhe curioso. Edison não queria que seu fonógrafo fosse usado para o entretenimento!

Thomas Edison começou a se mover quando Charles Tainter e Alexander Graham Bell ― este último, inventor do telefone ― criaram uma versão aprimorada do fonógrafo, com cilindros removíveis. Pouco a pouco, novas empresas surgiram na produção e a concorrência aumentou.

O gramofone

Acontece que, mesmo com os cilindros removíveis, o fonógrafo tinha limitações. Em 1888, Emile Berliner criou um aparelho que usava bolachas metálicas ou discos ao invés de cilindros. O aparelho recebeu o nome de gramofone.

Foi só em 1895 que o gramofone realmente começou a competir com o fonógrafo. À época, havia diferentes tamanhos e de discos existentes que, mesmo com suas limitações, eram mais práticos do que os cilindros.

O gramofone conseguia fazer 78 rotações por minuto (rpm) e era adequado ao uso de discos feitos de goma-laca. O máximo que se conseguia gravar nesses discos, porém, eram cerca de quatro minutos de música e logo o mercado foi em busca de algo melhor.

O surgimento da vitrola

O gramofone foi vendido a Victor Talking Machine, empresa que em 1920 criou o gira-discos: nada mais do que uma evolução da invenção de Emile Berliner que conseguia fazer 33 rotações por minuto (rpm).

O novo aparelho era perfeito para os discos de vinil, feitos de material mais resistente e com capacidade de suportar mais tempo de gravação do que os de goma-laca.

A invenção da Victor Talking Machine recebeu o nome de “victrola” que não tardou a ser aportuguesado para vitrola, tal qual conhecemos até hoje!

E o toca-discos?

Assim como a vitrola antiga, o toca-discos de vinil é um aparelho que surgiu do gramofone que, por sua vez, teve origem no fonógrafo. Com o sucesso do vinil, que dominou o mercado nacional até 1996, as empresas que desenvolviam os aparelhos viram oportunidade para ir além da vitrola.

Quando o objetivo era encontrar um equipamento para ouvir discos de vinil, existiam diversos aparelhos no mercado, dos mais simples aos mais complexos. Os toca-discos têm um nível de complexidade maior do que as vitrolas porque, como já mencionamos, têm módulos separados.

Então, a vitrola antiga é uma caixa de madeira com um prato giratório em que o disco era colocado, um braço com uma agulha, saída de som e controles para ligar/desligar, abaixar ou aumentar o volume.

Já o toca-disco era composto por duas ou mais caixas: uma que recebia o prato giratório, o braço com a agulha móvel e os controles, e outras exclusivas para a saída de som. Por essa razão, tendiam a ter mais potência sonora.

Vitrolas e toca-discos nos dias de hoje

Em 1984, foram lançados os CDs que podiam ser descritos como versões consideravelmente menores dos vinis e com maior capacidade de armazenar músicas. É certo que essa nova mídia trouxe consigo aparelhos específicos para a reprodução das gravações.

No Brasil, os vinis dominaram o mercado até 1996, mas daquele ano em diante, os pequenos CDs conquistaram os usuários e as vitrolas e toca-discos caíram em desuso.

Enquanto uns foram parar no lixo, outros encontraram abrigo em casas especializadas em produtos antigos, aguardando uma oportunidade de revenda. Alguns permaneceram nos lares daqueles mais aficionados pelos discos de vinil e seu som analógico.

Se hoje em dia temos música sendo reproduzida pelos celulares modernos, na palma da mão, será que ainda há espaço para vitrolas antigas e toca-discos? A resposta é: sim!

Os vinis nunca deixaram de ser comercializados nos Estados Unidos. Pouco a pouco, voltaram a ganhar espaço na Europa e depois em países como o Brasil. Ainda na primeira década dos anos 2000, gravadoras nacionais voltaram a produzir discos e, com isso, a procura por tocadores aumentou.

A primeira alternativa dos consumidores era buscar aparelhos parados na casa de parentes ou comprar modelos antigos em lojas especializadas. Não demorou, porém, para que o mercado oferecesse opções novas que são releituras dos aparelhos que você conheceu antes.

E ah, vale esclarecer: essas releituras têm mais qualidade do que os toca-discos e vitrolas antigas. Isso porque a tecnologia avançou e os fabricantes podem oferecer produtos melhorados no mercado atual.

Vitrolas portáteis e toca-discos potentes

Por serem mais simples, vitrolas tendem a ser um investimento mais em conta do que os toca-discos. Quando o gosto pelo vinil voltou a se manifestar entre as pessoas, inclusive entre as mais jovens, as novas vitrolas começaram a pipocar no mercado.

Existem hoje aquelas que são bem similares às vitrolas antigas e que você pode comprar para colocar em um canto especial de sua casa e reviver bons momentos. E também existem modelos portáteis e que têm a aparência de uma maleta que realmente se abre e fecha para poder ser levada de um lugar ao outro.

Além dessas opções, você encontra no mercado hoje toca-discos super modernos e potentes cujo valor pode ultrapassar a casa dos R$ 3 mil!

Gostou deste post? Leia também sobre a história dos discos de vinil!

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2 Comments

  • Janio, 21 de junho de 2020 @ 22:39 Reply

    Muito bom principalmente para os jovens que gostam das antiguidades.

  • Jânio Roberto (Florianópolis-SC), 9 de outubro de 2020 @ 01:17 Reply

    Meu pai tinha uma radiola da extinta Elwo (fabricada em Joinville-SC, próximo de onde moramos). Muito boa, toda valvulada (tínhamos que esperar ela “esquentar” para ouvir rádio ou discos – e quanto discos!!!). Era um suspense… uma espectativa… E assim tínhamos contato com os “misteriosos” discos. Que por sermos crianças não entendíamos como funcionava a “magia” dos sons que estavam ali “aprisionados” e saíam deles, quando tocados! Bons tempos…
    Hoje coleciono vinil e foi uma grata surpresa esse blog!!! Gosto muito da sonoridade e manuseio dos mesmos. Tenho esse cuidado e respeito pela música, que suponho ter herdado de meu pai.
    Espero que esse retorno atual ao vinil se perdure por muitos anos ainda!!!
    Parabéns pelo excelente texto!!!

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