Já ouviu alguém dizer que tem ou gostaria de ter um toca-discos em casa porque o som do vinil é melhor do que o som de outras mídias? Ficou se perguntando se isso é verdade ou o que justifica essa opinião?

Há explicações científicas e outras mais embasadas na emoção do que na razão que podem nos explicar por que tanta gente gosta do som dos discos de vinil.

Ainda que não tenhamos a pretensão de convencer você a respeito, vamos compartilhar aquilo o que é sabido a respeito. 

Nosso intuito é debater a qualidade do som do vinil e apresentar alguns dos motivos pelos quais tanta gente gosta dessa mídia.

Acompanhe!

Qualidade versus característica do som

Se você pesquisar por aí ― sugerimos que só faça isso depois de terminar de ler este post ―, vai encontrar explicações de que o som de vinil antigo é melhor do que os demais porque é mais limpo.

O produtor Luiz Calanca é um dos que defendem que os discos de vinil são mais vantajosos do que as músicas dos serviços de streaming. Segundo ele, no vinil “as músicas possuem gravações originais, que garante o som mais limpo e com um equipamento adequado, a música se torna superior à música on-line”.

Note que ele ressalta a questão do uso de um equipamento adequado para que essa vantagem seja, de fato, percebida. Falaremos mais sobre isso adiante.

Antes, vamos ao posicionamento de Fernando Iazzetta, professor e membro do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da USP.

Ele afirma que, “em termos técnicos, é possível dizer que o som dos discos de vinil é mais arredondado, com menos transientes, que são uma espécie de ruídos rápidos que ajudam a definir a articulação do som”.

Com isso, a discussão não deveria girar em torno da qualidade. O que torna o som do vinil tão especial é sua característica de um som mais grave e, em termos, mais encorpado.

A qualidade do equipamento usado para ouvir o vinil

Entre os que defendem a qualidade do som do vinil, existem os que argumentam que ouvir esse tipo de mídia permite que a gente consiga distinguir melhor os sons dos instrumentos.

Luciano Bilesky, da Bilesky Discos, explica que os discos de vinil permitem que o áudio seja gravado com uma gama de frequências sonoras superior ao som digital.

Entretanto, ele alerta que para perceber essas diferenças é preciso ter um equipamento capaz de destacar a qualidade do vinil:

“Alguns equipamentos não possuem as regulagens necessárias para aproveitar o melhor do som analógico, alguns equipamentos até depõe contra o resultado final, captando e executando o som com qualidade muito inferior do que se é possível proporcionar”.

Com tudo isso, se ao se deparar com a dúvida sobre qual o melhor som, o vinil leva a sua preferência, saiba que para realmente desfrutar disso você precisa de um bom aparelho toca-discos.

Um paralelo sobre a música digital

Apenas para enriquecer a conversa, façamos um breve paralelo entre o que acabamos de apresentar sobre a qualidade do equipamento e seu efeito no som do vinil e a mesma realidade na música digital.

Elementos como o leitor de mídia, o amplificador de som e o fone de ouvido ou caixa de som que você usa para ouvir suas músicas favoritas também afetam a qualidade.

Em suma, se você não contar com equipamentos bons, pode achar difícil entender que o som digital pode ser tão bom quanto ou superior ao do disco de vinil.

Certamente, tudo isso é uma questão de gosto, mas se você quer fazer comparações mais adequadas, talvez seja mais interessante considerar arquivos FLAC de alta qualidade a arquivos MP3, por exemplo.

O famoso “chiado” do disco de vinil

Entre os que valorizam o som do vinil, existem os que destacam o “chiado” que se ouve quando a mídia está sendo reproduzida como um diferencial importante para a experiência de ouvir música.

É curioso que essa característica seja mencionada porque um chiado pode ser compreendido como algo que, ao invés de favorecer a qualidade, interfere no som que está sendo reproduzido.

Em todo caso, o chiado tem a ver com o que faz o som do vinil tão especial pra tanta gente. Mídias mais novas podem não ter esse tipo de ruído, sobretudo as digitais.

Com isso, há quem sinta falta de um elemento que favorece uma viagem no tempo o que cria um cenário que pode ser considerado ideal para apreciar a música. Algo de que falaremos logo mais.

Antes, uma curiosidade: o famoso chiado do vinil não é uma característica das gravações.

É bem verdade que uma gravação pode ter qualidade ruim e contar com diversas interferências, mas o barulhinho que muitos consideram um charme costuma ser, na verdade, sujeira.

Discos de vinil tem sulcos pelos quais a agulha do toca-discos passa para reproduzir o som. É comum que poeira e outros resíduos acabem se acumulando nesses sulcos ― e também na agulha ―, provocando o chiado.

O vinil como ritual e a música como uma experiência

Na era do streaming, se você tem o costume de usar aplicativos de música sabe o quão práticas essas soluções podem ser. Basicamente, com um smartphone na mão, conseguimos ouvir uma infinidade de músicas de onde quer que estejamos.

Ainda que possamos gastar algum tempo procurando playlists ou tentando descobrir artistas novos, dispomos de uma tecnologia que se antecipa e faz indicações que acompanham nosso gosto musical.

Com tudo isso, é fácil colocar algum som para tocar sem que nos dedicamos à algum tipo de ritual ou que encaremos a música como experiência.

Ao menos, esse é um entendimento possível com base na relação que algumas pessoas têm com os discos de vinil.

Como haveria de ser, lojas virtuais para a venda de vinis existem, mas até mesmo no online muitos fãs dessa mídia investem uma parcela considerável do seu tempo tentando garimpar o álbum ideal.

Algo que também tem relação com o preço dos discos de vinil.

Depois de passar horas garimpando, nada mais justo do que colocar o vinil para tocar em um momento em que seja possível se concentrar na música.

É por isso que há quem tenha todo um ritual de escolha de bebida, adequação da luz ambiente e outros fatores para finalmente colocar o disco para rodar na vitrola.

Conclusão

Com tudo isso, pode ser que o som do vinil tenha mais qualidade caso você tenha os equipamentos adequados para perceber melhor cada instrumento.

Por outro lado, há uma série de outros fatores, desde a qualidade de gravação do disco até a qualidade de novos formatos como o FLAC, que prolongam essa discussão a menos que se entenda que falamos de uma questão de gosto pessoal.

No fim das contas, é a característica acima da qualidade que faz o som do vinil tão especial. Aí se encontram, além de questões técnicas, elementos de nostalgia, rituais e preferências acerca do melhor tipo de experiência ao se ouvir um álbum.

Gostou deste post? Leia também sobre a história dos discos de vinil até os dias de hoje!

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