“Fulano trabalha muito, por isso tem tão pouco tempo para dormir”. “E Beltrano que, agora que está mais velho, dorme o dia inteiro e não tem sono a noite?”.

Atualmente, diferentes faixas etárias têm problemas com o sono. Estudantes em preparação para o vestibular e adultos no mercado de trabalho costumam ter rotinas que se iniciam cedo e terminam bem tarde. Por sua vez, alguns idosos sentem sonolência ao longo do dia e lutam contra a insônia de noite.

Pode até parecer que essas situações são naturais e fazem parte da vida, mas precisamos ter atenção à importância do sono na terceira idade. Foi pensando nisso que preparamos este post. Confira!

O que muda com o envelhecimento

Depois da aposentadoria, o ritmo de vida de muita gente diminui. A princípio, pode até ser que essa mudança esteja influenciando o sono, já que uma vida menos cansativa pode “pedir” menos descanso. Mas isso não é tudo.

Em muitos momentos da vida, nosso organismo se acostuma com cada situação com o objetivo de fazer com que sempre tenhamos boas noites de sono. Acontece que, entre os 50 e os 60 anos de idade, o padrão de nosso sono muda.

O sono de ninguém é linear. Há variações entre fases mais superficiais e outras mais profundas. Com o passar do tempo, sobretudo na terceira idade, é mais comum que passemos mais tempo nas fases superficiais do sono. Algo que tende a resultar em queda de qualidade, sono fragmentado e dificuldade para adormecer.

Além disso, é comum que pessoas mais velhas e com dificuldades de locomoção passem mais tempo dentro de casa. A pouca exposição à luz natural prejudica a produção de melatonina: o hormônio que avisa nosso corpo quando é hora de dormir, levando à falta de sono à noite.

Como consequência de tudo isso, o cansaço pode aumentar durante o dia, levando à situações de sono excessivo contornadas com cochilos de tarde inteira, por exemplo.

Sinais de que o sono não está sendo bom e reparador o bastante

Os cochilos durante o dia não são o único sinal de que algo não vai bem o bastante no sono da noite. Em geral, são questões facilmente compreendidas como consequência da falta de um descanso apropriado. Veja:

  • Irritabilidade;
  • Dificuldades para se concentrar ou lembrar coisas;
  • Confusão;
  • Sentimentos depressivos.

Consequências das noites mal dormidas na terceira idade

É um mito que idosos precisam de menos horas de sono ou que sempre fiquem bem mesmo dormindo pouco. Nosso corpo e mente precisa de descanso e, de preferência, sem que o sono seja interrompido várias vezes por noite ― algo que se torna comum com o avançar da idade.

Acontece que quem não pega no sono profundo e dorme mal pode ter uma série de problemas. O cansaço que se acumula pode levar ao mau humor e à falta de disposição para realizar atividades no dia a dia. Uma vida cada vez mais parada pode desencadear sentimentos de tristeza, incapacidade e até depressão.

Além do mais, a má qualidade do sono pode levar à diabetes, obesidade e hipertensão. É certo que essas doenças já são comuns a muitos idosos, mas ninguém vai querer aumentar os riscos ou piorar os quadros de cada problema, não é mesmo?

Como os idosos podem melhorar a qualidade de seu sono

Antes de qualquer coisa, é importante dizer que alguns casos de problemas com o sono precisam de atenção médica. Quadros crônicas de insônia, por exemplo, precisam de intervenção profissional para serem amenizados ou corrigidos.

Ainda, é sempre importante consultar o médico, seja um clínico geral, um geriatra ou outro que faça o acompanhamento do idoso. Isso porque alguns medicamentos utilizados para o controle de alterações comuns ao processo de envelhecimento podem afetar o sono, demandando adequações.

Sabendo disso, podemos seguir para dicas que podem contribuir para a melhoria da qualidade do sono. Veja só:

Aumentar a exposição solar

Não, ninguém precisa e nem deve ficar torrando debaixo de sol quente. Isso pode ser perigoso, especialmente para os mais idosos. O aumento da exposição à luz solar deve ser feito com responsabilidade e nem sempre implica em tomar banho de sol.

A luz natural influencia a produção da melatonina, aquele hormônio que indica ao nosso corpo quando é hora de dormir. Por isso, em horários seguros, vale um passeio ao ar livre e, no dia a dia, vale abrir as cortinas e deixar que os raios de luz entrem em casa.

Há casos em que, em razão de uma saúde já mais debilitada, idosos passam os dias deitados em um quarto escuro ou com pouca luz. Mudar isso pode contribuir muito para a melhoria da qualidade de vida;

Praticar atividades físicas

Nós claramente vemos isso acontecer: naqueles dias em que a criança sai da rotina e brinca até falar chega, ela tende a simplesmente “apagar” durante a noite. E sabe o que é mais interessante? Isso também vale para jovens, adultos e idosos.

A prática de atividades físicas contribui para a liberação de endorfina, além de trazer vários benefícios para a saúde. A endorfina é responsável pela sensação de bem-estar e também contribuem para uma boa noite de sono profundo;

Ter uma alimentação saudável

Indicar uma alimentação saudável pode parecer um simples clichê, mas é muito mais do que isso. Refeições ricas em proteínas e leguminosas estimulam a produção de hormônios que controlam o nosso sono e, consequentemente, determinam a sua qualidade.

Ainda, uma alimentação pouco balanceada e rica em comidas e bebidas calóricas e estimulantes é tudo o que nosso organismo não precisa para dormir bem. Quem bebe refrigerantes, consome doces ou muito carboidrato durante a noite tente a se sentir com mais energia, o que atrapalha o objetivo de um sono profundo;

Estabelecer horários para dormir

A rotina é nossa aliada quando o assunto é qualidade do sono. Se a produção de melatonina e outros fatores comuns à idade faz com que seja mais difícil sentir aquela vontade de dormir, condicionar o organismo pode ajudar.

Em outras palavras, se o corpo não consegue, por conta própria, avisar a mente que é hora de dormir, nós mesmos podemos fazê-lo. Reduzir o ritmo no período da noite e estabelecer um horário de ir para a cama gradativamente passa o recado e faz com que seja mais fácil ao nosso organismo entender que o momento é de descanso e bons sonhos;

Evitar o uso de eletrônicos à noite

Por falar em reduzir o ritmo, minimizar o uso de eletrônicos à medida que o horário de ir pra cama se aproxima é uma ótima ideia. Atualmente, sobretudo com os celulares para idosos, muitos de nós adoram se divertir com o uso desses dispositivos.

Entretanto, ainda que pensemos estar apenas passando o tempo enquanto o sono não vem, o brilho da tela e o consumo de conteúdos e mídias tende a manter o cérebro em alerta. Com isso, nada de sono!

O mesmo vale para televisão, sendo recomendado não manter um aparelho dentro do quarto ou, ao menos, limitar seu uso a outros períodos do dia. Isso porque, no silêncio e no escuro é mais fácil para a mente entender que é hora de dormir um sono profundo e reparador.

Gostou do post? Aproveite para conferir dicas de ótimas atividades para idosos!

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