O rádio está muito presente na vida dos brasileiros. Mesmo que a tecnologia tenha mudado muita coisa ao longo dos anos, houve uma “Era de Ouro” que marcou a vida e a memória de muitos. Você sabe quais foram os principais nomes do rádio brasileiro?

Durante o governo de Getúlio Vargas, o investimento no rádio como meio de comunicação se intensificou. Até hoje, o rádio é entendido como um meio bastante acessível, podendo atingir pessoas de diferentes classes sociais por todo o país.

Com isso, além dos conteúdos noticiosos, o rádio brasileiro se fortaleceu ao apresentar artistas em programas de talentos e reproduzir gravações de expoentes da música brasileira. Veja nomes que se destacaram entre 1930 e 1950!

Orlando Silva

Orlando Garcia Silva foi um dos primeiros ídolos da música brasileira. Nascido no Rio de Janeiro, em 03 de outubro de 1915, foi sapateiro, vendedor de tecidos e mensageiro antes de se tornar cantor.

Seu dom para música o rendeu, entre os críticos, a alcunha de voz mais bonita do país. Interpretando músicas como “Carinhoso”, “Lábios que Beijei” e “A Jardineira”, Orlando Silva foi a primeira estrela da Rádio Nacional e ficou conhecido como o cantor das multidões.

Seu auge se deu entre 1937 e 1942 quando se tornou o maior vendedor de discos do país. Além disso, ganhava votações populares de melhor cantor, deixando para trás nomes como o de Francisco Alves e o de Sílvio Caldas que ainda serão apresentados neste post.

Apesar de todo sucesso, a carreira de Orlando Silva foi curta, apenas oito anos e seis meses marcados por altos e baixos que muito tiveram a ver com suas lutas pessoais. O artista era usuário de drogas e teve a carreira abreviada por causa do vício. Algo, porém, que não apaga seu nome da história entre os principais nomes do rádio brasileiro.

Francisco Alves

Francisco de Morais Alves, conhecido como Francisco Alves ou até Chico da Viola, nasceu no Rio de Janeiro em 19 de agosto de 1898. Por sua trajetória, é até hoje apresentado como o engraxate que virou “o Rei da Voz”, título que recebeu de César Ladeia, da Rádio Mayrink Veiga.

Ao longo de sua carreira, Chico gravou 1173 discos, sendo a música “Pé de Anjo” a sua primeira gravação profissional, em 1919. É dele a primeira gravação de “Aquarela do Brasil”, composta por Ary Barroso.

Francisco Alves, ainda que fosse um popular cantor da Era de Ouro e destaque entre os principais nomes do rádio brasileiro, era considerado um homem de poucos amigos. Entre eles, estava Orlando Silva que o tinha como ídolo e padrinho na música.

Chico teve a oportunidade de cantar fora do país e, apesar de ser conhecido como a maior voz do Brasil, ao se apresentar na Argentina fazia questão de começar com tangos no idioma local.

A carreira de Francisco foi interrompida de forma trágica, quando ele perdeu a vida em um acidente automobilístico em setembro de 1952.

Dalva de Oliveira

Vicentina Paula de Oliveira, nascida em 05 de maio de 1917, em Rio Claro (SP) adotou o nome artístico de Dalva de Oliveira. Sua voz poderosa a levou a marcar época como intérprete e um dos principais nomes do rádio brasileiro.

Não sem motivo, Dalva ficou conhecida como “A Rainha da Voz” e “O Rouxinol do Brasil”. Em 1935, iniciou o “Trio de Ouro” cantando ao lado de Herivelto Martins, com quem se casaria, e de Francisco Sena.

Entre a carreira musical e os problemas na vida conjugal, Dalva foi eleita a “Rainha do Rádio” em 1951 e, no ano seguinte, partiu em excursão pela Argentina para encantar com o seu talento. Em 1953, se apresentou na Inglaterra para a Rainha Elizabeth II e recebeu elogios.

Dalva Oliveira era a voz por trás de canções como “Ave Maria no morro”, “Tudo acabado” e “Que será” e registrada em mais de 400 gravações. A cantora nos deixou cedo, partindo em 1972 em razão de um câncer esofágico.

https://www.youtube.com/watch?v=Y8Z9ePCT6oc

Isaurinha Garcia

Isaura ou Isaurinha Garcia nasceu em 23 de fevereiro de 1923, em São Paulo. Ao longo dos seus mais de 50 anos de carreira, gravou mais de 300 músicas sendo “Mensagem” a principal em seu repertório.

Sua personalidade forte, na vida e na música, chamavam a atenção. Isaurinha, por seu estilo e sotaque paulistano marcante, ficou conhecido como “A Personalíssima”.

Isaurinha começou a cantar cedo e sua carreira começou em 1938, em uma participação em um concurso da Rádio Record em que ganhou o primeiro lugar com sua interpretação de “Camisa Listrada”, de Assis Valente.

Em 1963, Isaurinha Garcia foi indicada e venceu a categoria de Melhor Cantora do Troféu Roquette Pinto. Sua fama e talento a mantiveram na mente daqueles que conheceram os principais nomes do rádio brasileiro.

Em 2003, dez anos após a sua morte, a cantora foi homenageada na peça Isaurinha – samba, jazz & bossa nova, em que foi interpretada por Rosamaria Murtinho, assistida por mais de 300 mil pessoas desde então.

Ângela Maria

Abelim Maria da Cunha, nascida em 13 de maio de 1929, em Macaé (RJ), escolheu o nome artístico de Ângela Maria. Era também compositora e, considerada uma das vozes mais bonitas da MPB, chegou a ser eleita “Rainha do Rádio” em 1954.

Para boa parte dos críticos, porém, Ângela Maria era simplesmente a maior voz do Brasil. Fez carreira na Rádio Mayrink Veiga e emplacou sucessos como os sambas-canção “Fósforo Queimado, “Vida de Bailarina” e “Lábios de Mel”.

É ela a intérprete da famosa música “Babalu”, de Margarita Lecuona. Uma das razões pelas quais Ângela Maria caiu nas graças do povo como a cantora mais popular do Brasil, sendo aclamada também por personalidades como Juscelino Kubitschek e Louis Armstrong.

Nelson Gonçalves

Antônio Gonçalves Sobral, nasceu em Santana do Livramento (RS), em 21 de junho de 1919. Escolheu o nome artístico de Nelson Gonçalves para fazer carreira como cantor e compositor.

Nelson aparece entre os principais nomes do rádio brasileiro, sendo o segundo artista com mais músicas gravadas, atrás apenas de Francisco Alves. Seu “vozeirão” o tornou conhecido país afora, sobretudo com “A Volta do Boêmio”, seu maior sucesso.

Apesar das polêmicas em sua vida pessoal, o talento de Nelson Gonçalves o levou a fazer sucesso também fora do país. Além da Argentina, ele se apresentou em países como o Uruguai e os Estados Unidos.

Nelson quase perdeu a vida para o vício em drogas, chegando a sofrer overdose e encarando a prisão por posse de substâncias. Com muito esforço e apoio de familiares, retomou o controle de sua vida e seguiu gravando músicas até os anos 90.

Atento às novidades do cenário musical, Nelson Gonçalves chegou a fazer parcerias com nomes como Kid Abelha e Lulu Santos.

Emilinha Borba

Nascida em 31 de agosto de 1923, no Rio de Janeiro, como Emília Savana da Silva Borba, Emilinha Borba se sagrou um dos principais nomes do rádio brasileiro ao cantar samba, marchas e chorinhos.

Durante a Era de Ouro do rádio, concursos baseados na votação popular eram comuns para destacar os artistas mais queridos pelo público e consagrar a realeza do rádio. Emilinha é, provavelmente, a cantora que somou mais títulos, troféus, faixas e coroas ao longo de sua trajetória.

A música “Chiquita Bacana”, de Alberto Ribeiro e João de Barro, está entre os seus maiores sucessos. Sua carreira foi extensa, apesar de marcada por uma interrupção para cuidar de problemas de saúde.

Até três anos antes de sua morte, que aconteceu em 2005, participou de espetáculos realizados em diferentes estados como Pernambuco, São Paulo e Bahia.

Sílvio Caldas

Sílvio de Figueiredo Caldas nasceu no Rio de Janeiro em 23 de maio de 1908. Tornou-se um dos maiores cantores e principais nomes do rádio brasileiro após gravar a canção “Faceira”, de Ary Barroso.

Sílvio também era compositor e é dele a música “Chão de Estrelas”, um de seus maiores sucessos. Para além da escrita, seu talento como intérprete e timbre característico lhe renderam a alcunha de “O Seresteiro do Brasil”.

Carinhosamente, o artista também era chamado de “A voz morena da cidade”, de “Titio” ou de “O cantor das despedidas”. Este último nome veio, sobretudo porque Sílvio Caldas ensaiou encerrar a carreira por diversas vezes, mas nunca o fez de fato.

Além do rádio e dos discos, Sílvio também levou a música popular ao teatro, cinema, aos shows e a TV em uma vida marcada por uma carreira intensa e bem-sucedida.

Marlene

Por fim, mas não menos importante, Marlene é o último nome de nossa lista dos principais nomes do rádio brasileiro. Nascida em São Paulo em 22 de novembro de 1922, foi registrada como Victória Bonaiutti de Martino.

Também foi uma das “Rainhas do Rádio” em sua Era de Ouro e teve como uma das marcas de sua carreira a rivalidade com Emilinha Borba. O marketing que surgia deste “embate” foi positivo para ambas.

Marlene gravou mais de quatro mil canções e seu sucesso na música também a levou ao cinema. Fora do Brasil, a artista se apresentou na Argentina, Uruguai, Estados Unidos e França.

Ela também era compositora e um de seus sambas-canção, “A grande verdade”, foi gravado por ninguém menos que Dalva de Oliveira.

Então, o que você achou deste post sobre os principais nomes do rádio brasileiro? Qual ou quais eram os seus preferidos? Deixe seu comentário!

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