Uma pesquisa divulgada pela empresa de cibersegurança Kaspersky revela que 62% dos brasileiros não sabe identificar uma fake news. Você faz parte desse grupo?

Entender o que são, saber identificar e compreender por que devemos evitar o compartilhamento de notícias falsas é importante para evitarmos os problemas que esse tipo de conteúdo pode causar.

Sabemos que, hoje em dia, parece que tem “fake news” para todos os lados e que, por vezes, isso parece mais uma questão de opinião e preferência do que um fato concreto.

Com este post, esperamos ajudar você a ter uma visão mais crítica da situação para que evite se deixar levar por informações falsas e, claro, para que não as compartilhe por aí. Acompanhe!

O que são e por que as fake news existem

Atualmente, tornou-se comum a ideia de que qualquer mentira é fake news. A tradução para o português nos revela falamos de notícias falsas ― mas há mais por trás disso que precisamos entender.

Se você quer saber o que é fake news, considere que são informações falsas apresentadas como se fossem verdadeiras e que acabam se difundindo ou viralizando entre a população.

Muitas das vezes, esses “boatos” que apresentam informações inverídicas contam com elementos que podem gerar algum tipo de credibilidade justamente para enganar.

Além disso, é comum que apelem para o emocional daquele que recebe a mensagem para tentar fazer com que este acredite no que lê, ouve ou assiste.

Já se perguntou por que alguém cria e torce para que uma notícia falsa viralize? Existem pessoas que fazem isso por pura diversão, mas é provável que a maioria esteja ganhando algo com cada mentira espalhada.

Na internet, há sites que compartilham notícias falsas que ganham dinheiro a cada novo acesso. O problema, porém, costuma ser mais complexo do que isso porque pode estar relacionado a ganhos abstratos.

Não é sem motivo que a referida pesquisa da Kaspersky aponta que, na América Latina, “72% dos entrevistados acreditam que as fake news viralizam para que alguém receba algo em troca ou para causar dano a algo/alguém”.

Uma fake news sobre política ― um dos nichos mais explorados pelos criadores de informação falsa ― pode influenciar um alto número de pessoas a votar ou se posicionar contra ou a favor de determinado candidato.

Assim, decisões importantes acabam sendo resumidas a quantos “compraram” ou não determinada mentira.

Por que fake news podem ser perigosas

Para entender melhor por que as fake news podem representar um perigo para a sociedade, vamos tomar como base a situação que o Brasil e o mundo vivem no momento em que este post é escrito: a pandemia do novo coronavírus.

Um exemplo de fake news é o vídeo que circula nas redes foi gravado por uma mulher que diz estar em frente ao “hospital de campanha” da Unicamp. A mulher diz que nenhum paciente está sendo atendido no local porque a crise da Covid-19 seria uma mentira inventada pela mídia.

A verdade é que a Unicamp, ao menos até o momento, sequer tem um hospital de campanha e, diante da mentira, a própria instituição se viu obrigada a divulgar uma nota oficial esclarecendo a situação.

Além disso, serviços de checagem de fatos investigaram o vídeo e descobriram que a gravação foi feita em frente a tendas de triagem do Hospital das Clínicas, na Sexta-feira da Paixão (10/04).

Ainda, a demanda no local é flutuante, ora com mais e ora com menos atendimentos. No momento do vídeo, a movimentação realmente era pequena, um bom sinal diante de uma doença que, pelo número de mortos, é verdadeira e perigosa.

Não vamos fazer uma avaliação sobre quem poderia estar se beneficiando da ideia de que o coronavírus é uma farsa. Podemos, porém, considerar que a mulher que criou essa fake news pode ter agido com base em sua afinidade com aqueles que se beneficiam dessa mentira.

Os que compartilharam o vídeo, por sua vez, podem ter sido influenciados tanto por essa mesma afinidade quanto pelo desejo, que é de todos, de que essa pandemia do coronavírus passe logo.

E qual o perigo disso tudo? Uma pessoa que tenha assistido e acreditado no vídeo falso pode entender que não precisa seguir as medidas de prevenção, tampouco respeitar o isolamento social para evitar a contaminação pelo coronavírus.

Como consequência, pode acabar se infectando (ainda que fique assintomática e nem saiba que contraiu a doença) e infectando outras pessoas, colocando vidas em risco. Com esse cenário em mente, fica mais fácil entender os riscos por trás de uma fake news, não é mesmo?

Notícias falsas podem ser mais ou menos nocivas. Uma que diga que chá de erva-doce ajuda a prevenir o coronavírus está enganando as pessoas, mas o chá em si não é um perigo para quem o consome.

Apesar disso, a mentira ainda pode levar a pessoa a ignorar medidas reais de prevenção por confiar que um chá de erva-doce pode salvá-la da doença.

Como identificar uma fake news

Existem fake news da COVID 19 e fake news sobre diversos outros assuntos, já que a criação e o compartilhamento de informações falsas não é algo que começou ou vai terminar agora.

Saber como identificar uma fake news para não ser enganado e não compartilhá-la, porém, pode minimizar riscos e até desestimular a criação de novas mentiras. Confira nossas dicas:

1. Leia a mensagem por completo e não apenas o título

Essa dica se aplica, sobretudo caso você receba ou veja links de conteúdos na internet, mas também se aplica àquilo o que você recebe nas redes sociais.

A ideia é que, ao ler ou conferir o conteúdo completo, você tem melhores chances de identificar elementos que geram desconfiança;

2. Desconfie de informações sem fonte ou que apelem para o emocional

“O médico Fulano da Universidade Tal confirmou que o remédio X funciona”.

Onde está o link para o estudo científico que confirma essa informação?

Ou “Não querem que você saiba, mas a cura para o coronavírus já existe”.

Como assim não querem que saibamos de algo tão bom? Faz sentido?;

3. Cheque a fonte e a autoria da matéria

Se você recebeu ou viu uma matéria, confira em qual site ela está publicada e se foi assinada por alguém. Desconfie de informações que não tenham sido veiculadas por portais confiáveis;

4. Jogue o título da matéria ou trecho da mensagem no Google

Copie o título ou um trecho da mensagem na barra de buscas do Google e verifique os resultados.

Se você tiver recebido um áudio ou um vídeo, faça um breve resumo da mensagem para a sua pesquisa.

Caso seja uma informação verdadeira, você vai encontrar conteúdos similares em sites tradicionais, confiáveis. Caso não seja, há boas chances de que você encontre conteúdos de serviços de checagem de fatos explicando a mentira;

5. Tenha atenção a datas e ao contexto

Um dos perigos das fake news é que elas nem sempre são 100% falsas. Pode ser que você encontre a mesma mensagem que recebeu em sites confiáveis, mas não note que a data ou o contexto eram outros.

No início da pandemia do novo coronavírus, por exemplo, autoridades da área da Saúde não recomendavam o uso de máscaras para todos os cidadãos.

Com o tempo, isso acabou mudando e uma pessoa mal-intencionada pode compartilhar uma mensagem ou vídeo já ultrapassado como se fosse uma recomendação atual;

6. Converse com quem compartilhou a mensagem com você

Caso você tenha recebido a mensagem de alguém, para verificar se seu conteúdo é confiável, pergunte de quem essa pessoa recebeu.

Fake news viralizam e a resposta da pessoa pode indicar que nenhuma tentativa de confirmação da veracidade foi feita antes.

Ainda, uma vez que você tiver comprovado a fake news, comunique a pessoa que enviou a mensagem de que seu conteúdo é falso.

Faça o mesmo com aqueles para que, eventualmente, tenha enviado a informação;

7. Denuncie e evite o compartilhamento

Melhor ainda é evitar o compartilhamento de informações que você não tem confirmação de que são reais.

Além disso, convém denunciá-las. Redes como o Facebook e o Twitter permite que denúncias sejam feitas para alertar que um conteúdo é enganoso ou que, no caso do coronavírus, induz pessoas a se machucarem.

Serviços de checagem de fatos

Se você quer poupar tempo e esforço, pode recorrer diretamente a serviços de checagem de fatos para descobrir se uma informação é real ou fake news. Vamos a alguns deles:

De início, pode parecer trabalhoso demais checar se uma informação é ou não uma fake news.

Por isso, lembre-se de que a sua missão é evitar ser enganado por gente mal-intencionada e, como consequência, evitar que pessoas acabam se prejudicando em razão de uma mentira.

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