Vivemos uma realidade em que as fake news estão por toda parte. Em geral, pessoas mal-intencionadas estão por trás das mensagens, áudios e até vídeos que circulam pelas redes sociais e entender a esse respeito é muito importante.

Há quem saiba usar as fakes para o humor, mas em mãos erradas, a tecnologia pode ter efeitos nocivos.

Atualmente, já é possível manipular o rosto de uma pessoa em um vídeo que ela nunca gravou: são as deepfakes, tema central deste post.

Siga em frente com a leitura para saber mais!

Entendendo os conceitos de fake news e deepfake

Atualmente, tudo o que é mentira é chamado de fake news, mas não é bem assim. Fakes são conteúdos especialmente desenvolvidos para enganar e, por isso, costumam ser bem mais elaborados do que uma simples mentira.

É comum, portanto, que as mensagens possuam elementos verdadeiros, mas estejam acompanhadas de informações ou orientações falsas.

Em geral, são conteúdos que apelam para o lado emocional e que tentam ganhar credibilidade com termos como “não querem que a gente saiba”, “um médico famoso de São Paulo confirmou”.

Ainda, supostas referências como nomes de estudos ou de profissionais podem ser citadas, mas sem nenhuma comprovação de veracidade. Conseguiu identificar aí o que estamos falando?

Deep fake: muito além das fakes já populares

Infelizmente, as fake news se tornaram algo bastante comum e não é sem motivo que existem diferentes agências de checagens de fatos que são especialistas em analisar mensagens e indicar se são verdadeiras ou falsas.

Seu principal objetivo é combater a desinformação e suas consequências que podem ser muito graves.

Você já deve ter reparado que, muitas vezes, fake news vêm acompanhadas de imagens que parecem ter sido capturadas de algo real: um recorte de jornal, um “print” de uma rede social e por aí vai.

Tudo isso pode ser facilmente manipulado por programas de edição de imagens e outras ferramentas.

Há ferramentas tão avançadas que são capazes de permitir que o rosto de uma pessoa seja colocado sobre o de outra em um vídeo. É a inteligência artificial que permite que isso aconteça, dando origem às deepfakes.

Como a matéria da Revista Super explica, “deepfakes nada mais são do que vídeos criados a partir de inteligência artificial e que reproduzem a aparência, as expressões e até a voz de alguém do mundo real”.

Em muitos casos, esse uso da tecnologia pode ser inofensivo ou claramente voltado para o humor. No Brasil, Bruno Sartori, também conhecido como “o bruxo dos vídeos” é referência no assunto.

É ele o responsável a fazer a Monalisa (sim, aquele quadro famoso do Leonardo DaVinci) cantar Evidências (sim, aquela música famosa de Chitãozinho e Chororó), por exemplo. Confira:

Como as deep fakes funcionam

O nome deepfake vem da junção de dois termos em inglês: deep learning (algo como “aprendizado profundo”) + fake (falso).

Caso você ainda não saiba, deep learning é uma subclassificação da inteligência artificial que permite a um computador ou software aprender a identificar padrões e criar algo novo.

É aquela ideia das máquinas inteligentes, lembra? De forma bem simples, o funcionamento das deepfakes é o seguinte:

Primeiro, o software coleta o máximo de imagens possível que vai servir de referência para montar o rosto de uma pessoa em um vídeo do qual, originalmente, ela não participou.

Quanto mais imagens, com o rosto em diferentes ângulos e diferentes expressões, melhor porque isso vai dar ao software mais insumos para tentar se aproximar ao máximo da realidade.

Depois, é preciso gravar o rosto da pessoa que servirá de molde. Notou como no vídeo que compartilhamos, o Bruno aparece ao centro servindo de referência para a Monalisa?

Ele é o molde do qual o software capta os movimentos para, em seguida, criar a realidade inventada da deepfake.

Como resultado, cria-se um vídeo falso baseado em um vídeo verdadeiro. Quanto mais realista é o resultado, melhor é a qualidade da deepfake. Isso é algo que pode ter tanto usos positivos quanto usos negativos.

Deepfakes são perigosas?

Começamos essa conversa alertando que as fake news podem ser nocivas. Assim, não há como negar que as deepfakes também podem ser perigosas e, vale esclarecer, jamais seria nossa intenção omitir essa informação.

Entretanto, convém entender melhor os usos e reflexões em torno da tecnologia para saber como avaliá-la.

Poder de persuasão crescente

Para quem está habituado ao universo digital, muitas das deepfakes que existem hoje podem ser recebidas como materiais muito bem feitos, mas que ainda não são tão realistas a ponto de enganar qualquer um.

Isso porque a maior parte dos vídeos ainda tem uma definição baixa, fazendo com seja possível identificar sinais de que se trata de uma montagem.

Apesar disso, vídeos em alta definição já estão sendo desenvolvidos e seu poder de convencimento tende a ser cada vez maior.

Assim, em breve, pode ser que até os mais jovens ou mais conectados tenham dificuldades para identificar uma deepfake, ficar na dúvida ou até serem enganados.

É provável, portanto, que tenhamos que estar constantemente nos educando e aprendendo sobre o que o avanço tecnológico é capaz de fazer.

Uso no entretenimento

Para que você não fique com uma visão puramente alarmista desses vídeos, vale saber que as deepfakes existem desde os anos 1990, apesar de só terem se popularizado por volta de 2014.

Seu principal uso é a manipulação de imagens para o cinema, ou seja, algo voltado para o entretenimento.

A já referida matéria da Super, que conta com explicações do professor de Ciência da Computação na Universidade do Sul da Califórnia, Hao Li, indica ainda que “deepfakes podem ser usados também em dispositivos de realidade virtual, ou para criar sistemas de chats com interações mais realistas”.

Apelo para alguma “regulamentação”

Por fim, considerando o que é esperado para as deepfakes nos próximos anos, diferentes especialistas defendem que organizações devem estabelecer limites para determinar em quais contextos as deepfakes podem ou não ser usadas.

Caso esse pedido seja acatado, é possível que tenhamos contrapartidas para lidar com manipulações que sejam inadequadas ou que possam ser consideradas nocivas.

Traçando um paralelo com o universo das fake news no qual já estamos imersos, vale lembrar que só agora, entre 2019 e 2020, grandes empresas como o Facebook começaram a se mobilizar mais ativamente para tirar conteúdos falsos do ar ou alertar os usuários.

Assim, ainda temos um longo caminho para combater a desinformação e o uso indevido de tecnologias como as deepfakes que, nas mãos de gente bem intencionada, pode criar entretenimento e humor.

Gostou do post? Conta pra gente o que você acha sobre as deepfakes!

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