Os movimentos voltados à música nacional brasileira tinham o objetivo de deixar um legado: defender a democracia e a liberdade de expressão. Diversas músicas que ouvimos nas rádios e que marcaram as gerações dos nossos pais e avós eram conhecidos como canções de protesto. 

Olhando para os dias atuais, a música ainda continua sendo uma forma de expressão e com o principal objetivo de fazer pensar.

Portanto, para não deixar a história morrer ou ficar apenas presa em museus e livros, a ObaBox traz hoje a história das músicas de protesto, os principais nomes que as fizeram acontecer, além de outras curiosidades marcantes. 

Esperamos que goste da leitura!

Canções de protesto: História e surgimento

Em um momento onde a democracia parecia seriamente ameaçada, os movimentos artísticos tomavam espaço como uma forma de protesto.

Músicas voltada a uma crítica social inteligente, como as assinadas e interpretadas pelo letrista Alberto Ribeiro, trazem ao conhecido Estado Novo a informação de o público também clama pela igualdade de direitos. 

Canções essas ainda pouco conhecidas na época, que traziam ao show “Aviso aos Navegantes – Antecedentes da canção de protesto no Brasil” um tom inovador e crítico aos últimos acontecimentos. 

Mas foi a partir do ano de 1964 até o ano de 1968 que as canções e arte de modo geral trouxe um tom ainda mais acirrado de protesto.

A ditadura

O alvo dessa vez desta vez era o regime militar e a ditadura. Canções de protesto como “Opinião”, de Zé Keti, “Apesar de você” de Chico Buarque, “Caminhando”, de Geraldo Vandré e “É proibido proibir” de Caetano Veloso, são conhecidos como hinos dessa época tão conturbada. 

O objetivo dessas canções era trazer voz às minorias que até então eram desprezadas pelo olhar do poder público.

Então, as canções de protesto eram descritas como responsáveis por trazer a atenção para além do governo, mas como se poderia diminuir a desigualdade entre pessoas por meio da união e não da força. 

Houve compositores que traziam a defesa aos direitos de pessoas com necessidades especiais. Houve também quem vestiu a casa de quem trabalhava como empregada do lar.

Em um tempo tão delicado para falar sobre separação de casais, canções de protesto por todo o Brasil também traziam a necessidade de implantação da instituição do divórcio, da adoção e até da igualdade de gênero. 

Em meio a prisões e exílios, fazer arte no Brasil nessa época que se caracterizasse como uma forma de crítica era entrar em um terreno minado por conta da censura. 

A partir de 1970 os trabalhadores ganharam ainda mais espaço e viram suas vidas retratadas nessas músicas. Temas como a ação policial, baixos níveis de empregos, a inflação, a dificuldade nos transportes públicos, o medo e o terror eram retratados pelas obras. 

Geralmente os artistas utilizavam histórias de seus próprios meios, como os que viviam em periferias e desejam uma vida melhor.

Outros retratavam o que amigos, familiares e conhecidos passavam e suas dificuldades para colocar no papel em forma de canção uma forma de tornar explícito o que estava acontecendo. 

Os nomes que ganharam prestígio no movimento

Alguns artistas se tornaram célebres por produzirem as canções de protesto. Conheça alguns deles e algumas de suas obras. 

Chico Buarque

A música “Cálice” se tornou uma das conhecidas de Chico Buarque. Com um apelo emocional, trouxe uma lembrança à bíblia, mas também a opressão sobre o silêncio por conta do regime militar. 

Caetano Veloso

Com a música “Alegria, alegria”, trazia em suas letras referências a uma resistência de ir contra ao que estava sendo empurrado, fazendo menção à ditadura militar. 

Geraldo Vandré

“Pra não dizer que não falei das flores” é um dos seus mais conhecidos sucessos. Com o apelo emocional, traz ao tom da música esperança de que tempos melhores virão. 

Elis Regina

Polêmica, mas de uma inteligência fora de série, Elis trazia em suas interpretações mensagens claras sobre não repetir a mesma história do passado. A liberdade estava acima de tudo, além da livre expressão. 

Gilberto Gil

Durante os anos de chumbo da ditadura, precisou se exilar em Londres para continuar a produzir a sua arte. “Aquele abraço” é sua música e uma forma de despedida antes de sair do Brasil. 

Legião Urbana

“Que país é este” ficou eternizado na voz de Renato Russo. O seu lançamento atrasou 9 anos, pois Renato dizia esperar que o mundo mudasse a sua canção deixasse de fazer sentido. Após cerca de uma década, a canção foi lançada como uma maneira de protesto. 

Você viu nesse texto:

  • As canções de protesto traziam um tom de crítica para os recentes acontecimentos políticos e sociais;
  • As músicas fizeram história, principalmente entre os anos de 1964 a 1970;
  • Muitos autores e intérpretes sofreram com a censura de suas músicas. Em alguns casos foram exilados;
  • Hoje considerados hinos, na época as músicas de protesto levantaram muita resistência, ainda que boa parte do público se visse representada;
  • Muitas músicas tinham o objetivo de alfinetar o regime militar e suas práticas;
  • As músicas de protesto tentavam trazer uma mensagem direta em forma de uma linguagem subjetiva. 

Mais para você conhecer sobre história e música

Se você adora música, provavelmente já deve ter ouvido falar sobre os grandes movimentos musicais que marcaram a história do nosso país. Não apenas como uma forma de expressão, os movimentos também tinham seu apelo político e visavam passar uma mensagem para quem ouvia. 

Então, para aproveitar o momento de nostalgia, resolvemos trazer mais uma sugestão de leitura para você lembrar ou ao menos conhecer quais foram esses movimentos e como arrastaram multidões de ouvintes e admiradores. 

Não deixe de ler Aumente o volume: a história dos movimentos musicais brasileiros.

Esperamos que goste da leitura!

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