Sua vida tem trilha sonora? Quem escuta música o tempo todo por meio de dispositivos móveis e da internet precisa agradecer pela existência do MP3, já que foi esse o formato que revolucionou a indústria da música digital.

Talvez você ainda não saiba que o MP3 caiu nas graças do povo por ação de um estudante que roubou informações sobre a tecnologia para disponibilizá-la gratuitamente na web. Desde então, a forma como consumimos música mudou radicalmente.

É certo que o MP3 já é uma tecnologia ultrapassada, mas até agora, podemos dizer que nenhum dos sucessores promoveu uma revolução semelhante. Continua a leitura e saiba mais sobre esse assunto!

O que é MP3

É provável que você já saiba que o MP3 revolucionou o consumo de música, mas você sabe o porquê? Sabe mesmo o que é MP3 e o que essa sigla significa? Tudo bem se suas respostas foram “não”, estamos aqui justamente para dissipar essas dúvidas!

MP3 é sigla para MPEG Audio Layer-3. O nome é grande e até um pouco estranho, mas trata-se simplesmente de um formato de arquivo que nos permite escutar áudio em alta qualidade pelo computador e pelos serviços de transmissão de músicas.

A revolução se deu porque o MPEG Audio Layer-3 é, na verdade, um algoritmo de compressão de áudio. Seu poder é fazer com que os arquivos de música fiquem pequenos, possibilitando que sejam facilmente transmitidos via internet. 

Essa característica do MP3 também tornou possível que uma mesma pessoa tivesse em seu computador centenas ou até milhares de músicas salvas para ouvir quando quisesse.

O jeito simples de entender é sabendo que o que o MP3 faz é cortar as partes “inúteis” de um arquivo de música ― ou seja, o excesso de informação ― para reduzir seu tamanho sem afetar a qualidade.

A história do MP3

Nós aqui da Obabox adoramos entender mais sobre invenções que transformaram a música. Não sem motivo, um dos artigos que temos em nosso blog é sobre a história dos discos de vinil, da criação até os dias de hoje.

Fazer um resgate similar da história do MP3 é algo um pouco mais complicado porque existe uma série de questões técnicas.

Entre elas, está o desenvolvimento de softwares capazes de codificar e decodificar arquivos de mídia ― ou seja, algoritmos que transformam o conteúdo original em digital e, quando preciso, o transformam de volta ao seu formato de origem.

Com isso em mente, saiba que não vamos entrar nesses detalhes e que a ideia é tentar dar a você um panorama de como o MP3 surgiu, sem complicações!

Tudo começou em 1979, quando o professor alemão Karlheinz Brandenburg e seu grupo de doutorado recebeu a tarefa de encontrar e patentear uma forma de transmitir fala ou música em alta qualidade por linhas telefônicas.

Em meados da década de 1980, Brandenburg e seus colegas já podiam aproveitar a tecnologia dos softwares codificadores/descodificadores conhecidos como codecs. Acontece que “simplesmente” transformar um arquivo de um formato para o outro não era o suficiente para garantir sua transmissão. O desafio era diminuir o tamanho desse arquivo.

Com isso em mente, o grupo de doutorandos resolveu abraçar a psicoacústica: uma área que estuda as relações entre as sensações auditivas dos seres humanos e as características físicas do som. Foi assim que eles descobriram que nós não somos capazes de ouvir som em todas as frequências.

Por essa razão, Brandenburg e os colegas entenderam que seria possível eliminar as partes “inúteis” de um arquivo, ou seja, aquelas que não somos capazes de ouvir, sem que isso comprometesse a nossa experiência.

Daí até a criação do MP3, outros algoritmos foram desenvolvidos, testados e aprimorados. Foi só em 1991 que passamos a possibilidade de usar não apenas uma, mas três camadas de formatos para os arquivos. A terceira era baseada em um codec chamado ASPEC, o melhor compressor de arquivos da lista.

Foi só a partir disso, com novas análises e decisões, que surgiu o ISO MPEG Audio Layer-3, em 1995 ― perceba que o nome faz referência à camada (layer) do codec escolhido. Para simplificar, os criadores deram ao seu formato o nome de .mp3.

O consumo da música a partir do MP3

Muita água rolou por debaixo da ponte até que o momento em que o MP3 deu origem a uma revolução no consumo da música.

O primeiro MP3 portátil só conseguia reproduzir um minuto de música e os equipamentos que existiam nos primeiros anos eram muito caros.

Tão caros que apenas grandes empresas ou universidades contavam com a tecnologia até que… 

Em 1997, um estudante australiano usou um cartão de crédito roubado para comprar o software do MP3. Alterou o código original e o disponibilizou inteiramente de graça na internet.

Foi então que cidadãos de todo o mundo ganharam o formato MP3. A revolução se desenhou e ganhou forças em 1999, quando o Napster foi lançado. Caso você não saiba, o Napster foi o primeiro programa de compartilhamento de músicas em formato .mp3 a ganhar visibilidade.

Por meio dele, pessoas de todos os cantos do mundo podiam baixar músicas sem pagar nada por isso. À época, a conexão de internet não era das mais velozes, mas parecia valer a pena.

Quem não gostou disso, claro, foram os músicos. Vários artistas e bandas chegaram a processar o Napster porque o compartilhamento de suas músicas on-line e de forma gratuita impactou a venda de CDs.

O professor Karlheinz Brandenburg e seus colegas também não ficaram felizes em ver sua criação sendo utilizada dessa forma. Afinal, estamos falando de pirataria pura!

O avanço da música no digital

Na época do Napster, existiam MP3 players, ou seja, programas capazes de reproduzir os arquivos baixados que o fã de música precisava ter em seu computador. Entre eles, estava o Winamp que abriu caminho para que outros programas surgissem, como é o caso do iTunes.

O iTunes rodava música pirata, entretanto, sua criação foi uma forma de tentar fazer com que os ouvintes de música passassem a comprar músicas digitais ― no formato MP3 ― ao invés de recorrer à pirataria. Por essa razão, inúmeros artistas disponibilizaram seus álbuns na plataforma, onde eram vendidos a preços inferiores do que os CDs.

MP3 player portátil

O primeiro MP3 player portátil começou a ser vendido nos Estados Unidos em 1998. Seu nome era Rio PMP300, desenvolvido pela Diamond Multimídia. O aparelho era relativamente pequeno, tinha preço acessível e permitia ao fã de música ouvir a suas canções, artistas e álbuns favoritos sem precisar de um computador.

O player de MP3 foi, portanto, uma evolução que substituiu o discman ― tocador portátil de CDs ― e que, por sua vez, já havia substituído o walkman ― tocador portátil de fitas.

O mercado “bombou”, porém, quando a Apple, dona do iTunes, lançou seu próprio MP3 player portátil: o iPod. Mais fino, mais leve e com capacidade de armazenar mais músicas do que tocadores anteriores, o iPod sobreviveu tempo o suficiente para ter diferentes gerações.

Como era de se esperar, porém, eventualmente uma nova invenção surgiria para desbancar o MP3 e causar uma nova revolução. Em 2017, o formato foi declarado “oficialmente morto” quando o Instituto Fraunhofer ― que havia encomendado a patente aos doutores alemães ― anunciou que pararia de licenciar o codec de MP3 para desenvolvedores de softwares.

Do MP3 ao streaming

Pouco a pouco, outros formatos com capacidade ainda melhor de reduzir o tamanho dos arquivos e manter a fidelidade do áudio foram surgindo. Entre eles, estão o FLAC, o OOG e o AAC.

A “morte” do MP3 não significa que o formato deixa de existir ou que não podemos mais escutar músicas que foram salvas dessa maneira. O ponto principal é que os serviços de streaming preferem usar novas tecnologias, como o AAC.

Por meio desses serviços, o usuário não precisa baixar as músicas porque pode encontrá-las sempre que quiser na plataforma. Com isso, não precisa destinar espaço da memória de seu computador ou dispositivo móvel para armazenar os álbuns e playlists favoritos.

Além do mais, os serviços de streaming ajudaram a reverter o “boom” da pirataria que o MP3 acabou se envolvido.

Os serviços têm versões gratuitas, as que veiculam anúncios para gerar a verba repassada aos artistas, e têm versões pagas que trazem vantagens aos usuários e ajudam a manter a plataforma funcionando e rentável.

Gostou do post sobre MP3? Seguindo adiante, aproveite e conheça os melhores aplicativos para ouvir música no celular!

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