O trabalho na terceira idade aumentou nos últimos anos. Ainda que representem o menor grupo do mercado, os idosos estão voltando à ativa. Dados do IBGE apontam que o país tem quase 7 milhões e meio de pessoas com mais de 60 anos trabalhando.

Segundo especialistas, a principal razão para o retorno ao mercado de trabalho é a necessidade de complementar a renda e ajudar nas despesas pessoais ou da família. Outros se mantêm na ativa por opção, considerando inclusive fatores como a manutenção da saúde mental. Você se identifica com alguma dessas situações?

Caso esteja pensando em voltar a exercer uma atividade profissional, continue a leitura. Neste post, você vai saber um pouco mais sobre como está o mercado de trabalho para terceira idade. Acompanhe!

Desafios e oportunidades de recolocação

Níveis altos de desemprego estão relacionados a um mau momento da economia. Quando os empregadores têm menos dinheiro disponível para contratar, além de fazerem cortes, tendem a buscar mão-de-obra mais barata ― seja a de jovens inexperientes ou a de idosos retornando ao mercado.

Em alguns casos, frente a necessidade de simplesmente completar a renda quando a aposentadoria não é suficiente, a terceira idade está entre os que aceitam ganhar menos, nem que seja somente para viabilizar o recomeço.

Para entender porque isso acontece, vale saber que 70% dos aposentados do país recebe apenas um salário mínimo como benefício porque se aposentam por idade e não por tempo de contribuição.

E a realidade é que um aposentado dificilmente retorna ao mercado para receber um salário equivalente ao que recebia antes. Mesmo quando suas qualidades são reconhecidas, pode ser necessário passar por um processo gradual para ter um aumento e conquistar um salário mais significativo.

Apesar de tudo isso, não é só por fatores negativos que a oferta de vagas de trabalho para idosos aumentou. Há muitos anos, o mercado de trabalho lida com a falta de profissionais qualificados em diferentes áreas e pessoas com mais experiência podem ser capazes de suprir essa ausência.

Outro fator é que o aumento da expectativa de vida da população já faz com que algumas empresas enxerguem a terceira idade com outros olhos. Além da experiência, o senso de responsabilidade e a maturidade emocional estão entre as características que os mais velhos têm e que são valorizadas pelo mercado de trabalho. 

Por essas razões, a ideia de instituir programas de contratação especialmente voltados para maiores de 50 anos e a terceira idade já está sendo colocada em prática por algumas empresas.

Em geral, o principal desafio é vencer a defasagem. O avanço tecnológico mudou e segue mudando diferentes processos no universo corporativo. Assim, para fazer parte do mercado de trabalho da terceira idade, muitos precisam buscar formas de se atualizar e adaptar ao uso de novos recursos.

O relacionamento com os colegas

Não podemos negar que o mercado de trabalho na terceira idade não está livre da resistência e do preconceito. Há empresas que não se mostram tão amigáveis à contratação de idosos que buscam recolocação e sequer se esforçam para isso.

Em outras situações, há colegas de trabalho que não estão preparados para lidar com a situação e discriminam os idosos, inclusive fazendo comentários maldosos.

Quanto a isso, vale lembrar que qualquer desrespeito ou exposição desnecessária e vexatória deve ser comunicada a um superior ou ao setor de Recursos Humanos da Empresa.

Do outro lado, estão as empresas que criam programas de contratação e cuja cultura interna está preparada para lidar com o trabalho na terceira idade. Nessa situação, é mais comum encontrar um ambiente receptivo em que o relacionamento com os colegas é mais leve e positivo.

Com isso em mente, caso esteja em busca de vagas, lembre-se que é direito seu pesquisar sobre a empresa ou fazer perguntas durante a entrevista. O objetivo é tentar descobrir, de antemão, se a cultura local favorece a interação entre profissionais de diferentes idades.

A legislação trabalhista e o trabalho na terceira idade

O texto legal que versa sobre o trabalho na terceira idade é o Estatuto do Idoso, lei n°10.741, de 2003. É o artigo 26 que determina que “idoso tem direito ao exercício de atividade profissional, respeitadas suas condições físicas, intelectuais e psíquicas”.

Na sequência, o artigo 27 da mesma lei indica que uma empresa não pode determinar limite máximo de idade para contratação, salvo em casos especiais. Tais casos seriam aqueles em que o trabalho tem condições severas e colocam em risco a saúde do trabalhador: a atuação em minas de subsolo e sob ar comprimido.

É preciso ter em mente também que, como em qualquer contratação, a participação no mercado de trabalho para a terceira idade depende do resultado do exame admissional. Se o médico responsável avaliar que o trabalho em questão é incompatível com a situação pessoal do idoso, pode não recomendar a contratação.

Ainda, o aposentado que se mantém ou retorna ao mercado de trabalho para a terceira idade segue com os benefícios trabalhistas a que tinha direito antes. Entretanto, perde o direito ao seguro-desemprego mesmo que seja demitido sem justa causa.

Além disso, caso sofra algum acidente de trabalho fique doente, o idoso não tem direito ao auxílio-doença. Dessa forma, caso fique afastado por mais de 15 dias, não recebe outro benefício do INSS que não a própria aposentadoria.

Da aposentadoria ao mercado de trabalho

Por um tempo, quem decidia voltar à ativa e ingressar no mercado de trabalho da terceira idade tinha direito à desaposentadoria ou desaposentação ― um recálculo dos benefícios pagos pela Previdência Social.

Isso acabou porque o Supremo Tribunal Federal decidiu que o idoso não pode ter um benefício maior pelo fato de continuar contribuindo.

Apesar disso, o aposentado que mantém sua contribuição ao INSS tem direito à reabilitação profissional, uma assistência para voltar a trabalhar. E também ao salário-família ― benefício pago somente aos segurados de baixa renda.

Fundo de Garantia

O FGTS é outro ponto que merece ser destacado. Caso o idoso se mantenha na ativa na mesma empresa pela qual se aposentou, tem direito a fazer saques mensais dos depósitos que o empregador faz ao Fundo de Garantia. Um dinheiro que ajuda a complementar a renda.

Caso mude de empresa depois da aposentadoria, o trabalhador da terceira idade só tem direito a realizar o saque no fim do contrato ou em casos especiais, como o do financiamento de casa própria. Além disso, vale lembrar que se for demitido sem justa causa, o idoso também tem direito à sacar a multa de 40% do FGTS.

Com tudo isso, da aposentadoria à volta ao mercado, o idoso pode até perder alguns direitos e precisar lidar com os desafios da recolocação.

Entretanto, muitos benefícios permanecem e o trabalho na terceira idade pode ser a chave para manter a saúde financeira da família e também para recuperar a autoestima e manter a mente ativa e sã.

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