Essa é uma pergunta não tão fácil de responder porque, embora existam sim critérios a serem levados em consideração na hora de definir se um disco é raro ou não, isso muitas vezes vai depender também do ponto de vista do colecionador. Neste contexto, estaríamos entrando no campo da subjetividade e da opinião, certo? 

O fato é que os discos raros tem o seu charme e quando um colecionador o encontra, a sensação é de ter achado um tesouro, tamanha é a felicidade de quem o descobre.  

Muitos destes colecionadores fazem o garimpo ou, como se diz no jargão dos djs, frequentadores de sebo e amantes de vinil, o digging (escavação) muitas vezes solitários e a celebração é sempre algo muito íntimo de cada um. 

Caso você seja uma dessas pessoas ou pretende se aventurar pelas curiosidades dos discos raros, esse post é para você. Vem com a gente! 

O que determina se um disco é raro ou não? 

Conforme comentamos no início do texto, existem alguns critérios sim para definir se um disco é raro, mesmo havendo inevitavelmente a interpretação particular de cada colecionador.

Entre os aspectos principais estão a tiragem, distribuição e número de cópias vendidas. Neste contexto, os discos que tiveram milhões de cópias lançadas tem valor baixo em termos de raridade. Por outro lado, aqueles que tiveram baixíssima distribuição e venda são considerados raros 

Então o fato de ser antigo não faz a menor diferença? Nem sempre. Por exemplo, o disco “Thriller” do Michael Jackson é de 1983, porém, foram distribuídas mais de um bilhão de cópias deste álbum, o que de longe não o torna raro.

Já o Peabiru, trabalho de Lula Cortês e Zé Ramalho foi lançado em 1975. Entretanto, a maioria dos registros se perderam em uma enchente em Recife e quase nenhum deles chegou a ser distribuído. Neste caso, diante da baixa distribuição, encontrar esse disco se transforma em uma raridade. 

Por que os discos raros são tão atrativos?

Não podemos responder essa pergunta sem antes mencionar a atmosfera e a sensação única de colocar um disco na vitrola. 

Tudo começa antes da música rolar, passando pela escolha da bebida certa, que pode ser um vinho ou uma cerveja, passando pelo clima do dia, podem passar por diversas situações como os preparativos para um almoço de domingo, ou aquele momento para relaxar em uma sexta-feira depois de uma semana exaustiva de trabalho. 

Além de toda essa atmosfera que só o disco de vinil proporciona, tem ainda o aspecto da nostalgia e o fato de poder se sentir privilegiado ao ouvir a obra daquele artista que mais admira, sabendo que você é um dos poucos mortais privilegiados em desfrutar daquele disco incrível. 

Está aí uma sensação que não tem preço, não é mesmo? Falando em valores, esse é o próximo assunto deste artigo. Vem comigo!

Os 8 discos mais raros do mercado

Atualmente, o grupo de adeptos dos famosos “bolachões” está crescendo acentuadamente e, com ele, aumenta também o preço do disco de vinil raro. Meus amigos, acreditem: alguns podem chegar a valores equivalentes a um carro usado. Confira algumas destas raridades e o quanto pode se pagar por elas: 

  1. Lula Cortês e Zé Ramalho – Paêbirú (1975): citado anteriormente também nesse artigo, esse disco, caso seja encontrado, pode custar até R$ 10 mil; 
  2. Roberto Carlos – Louco por Você (1961): trata-se da obra de estreia de Roberto Carlos, misturando um pouco de bossa nova e música romântica. O material foi um desastre em número de vendas e logo saiu de circulação. Mas tem valor para quem é colecionador e você pode comprá-lo por até R$ 7.000; 
  3. Jorge Ben Jor – On Stage (1972): primeiro álbum ao vivo de Jorge Ben Jor, que foi gravado no Japão. Ele teve tiragem limitada e trata-se de um material muito cobiçado pelos fãs. Os preços podem variar entre R$ 4 e R$ 7.500; 
  4. Beatles – Yesterday And Today (1966): os bons rapazes de Liverpool posando com bonecas de plástico e pedaços de carne não condiz muito com eles, certo? Mas o fato é que esse “play” existe e foi lançado apenas no Canadá e Estados Unidos nos anos 60, pois logo foi censurado. Uma cópia dele pode passar de R$ 19 mil; 
  5. Capa de “Coisas”, de Moacir Santos (1965): esta é a obra de um dos maiores compositores, multi-instrumentistas e arranjadores da música brasileira. Seu trabalho é considerado muito valioso, não só pela qualidade das composições, mas também por sua raridade. Um disco dele pode sair por R$ 7.600; 
  6. Tim Maia Racional, Vol. 1 e 2 (1975): dois discos que “O Síndico” Tim Maia lançou em 1970 sob influência da cultura racional, vertente religiosa derivada da umbanda criada pelo médium Manoel Jacintho Coelho, que pautou o conteúdo das composições. Os bolachões originais desta época chegam a valer R$ 3 mil; 
  7. Raul Seixas – Let me Sing my Rock’n’Roll (1985): compilação feita pelos fãs de Raul Seixas nos anos 80, com distribuição limitada. A obra traz o Raul explorando influências de Elvis Presley e rock clássico e pode custar mais de R$ 3 mil; 
  8. Robson Jorge & Lincoln Olivetti (1982): o trabalho de Lincoln Olivetti, um dos profissionais que transformou a sonoridade da música brasileira, era vendido por aproximadamente R$ 50,00 até 15 anos atrás. Porém, o panorama mudou e o material agora pode ser encontrado por R$ 1000,00. 

Conclusão

Em meio ao debate proposto no artigo, é possível concluir que é possível sim seguir um critério sobre que é ou não um disco de vinil raro. 

Porém, não é possível deixar de considerar o valor simbólico que determinada obra tem para essa ou aquela pessoa, o que aí é de caráter muito íntimo e aqui entramos no campo da subjetividade, ou seja, o que é incomum para mim pode não ser para você. 

O fato é que os discos de vinil, sendo raros ou não, estão mais vivos do que nunca graças aos seus valorosos e fiéis fãs. 

Curtiu o nosso post? Quer saber mais sobre o assunto? Fica a dica para a leitura do post “Afinal: o que tem de tão especial no som do vinil?”, que está no nosso blog.

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