Foi só você falar com alguém sobre o desejo de comprar um tênis novo que, ao abrir um aplicativo, deu de cara com um anúncio sobre… tênis?

Acontece e faz muita gente se questionar se o celular escuta conversas. Será?

O assunto é polêmico. Enquanto há quem seja categórico em afirmar que os apps não lêem mensagens ou captam áudios, tem muita gente que acredita que sim e diz até que pode provar.

Sem querer pagar de “donos da verdade”, vamos compartilhar um pouco do que se sabe a respeito com você, neste post.

Além disso, vamos dar algumas dicas de privacidade no celular, por vias dúvidas.

Acompanhe!

Sobre a autorização concedida aos aplicativos

Antes de qualquer dica, que tal entender de onde vem essa história sobre o celular escutar conversas?

Quando baixamos um aplicativo como o Whatsapp ou o Instagram (estes não são os únicos!), concordamos com termos de uso e, eventualmente, temos a oportunidade de conceder ou não acesso a algumas funções dos nossos dispositivos móveis.

Para que você mande mensagens de áudio pelo Whatsapp, por exemplo, precisa autorizar o app a ter acesso ao seu microfone.

Quando você decide tirar fotos direto do Instagram para compartilhá-las em seu perfil, precisa autorizar que o app tenha acesso à sua câmera.

Com isso, muitos aplicativos acabam tendo acesso ao microfone, à câmera e ao rolo de câmera. Ou, em outras palavras, recebem autorização para captar áudio e capturar imagens.

E é daí que surge a principal suspeita das pessoas que temem não haver muita privacidade no celular.

O celular escuta ou não a gente?

Com isso, há quem garanta que os aplicativos só acessam o microfone ou a câmera com nossa autorização e, talvez mais importante de se destacar, para garantir que suas funcionalidades sejam aproveitadas.

Isso faz sentido porque não dá para gravar um vídeo esperando que este tenha áudio se o app não está autorizado a captar som, se não tem acesso ao microfone do dispositivo.

Por outro lado, o Facebook já admitiu que tinha sim alguém ouvindo os usuários!

A empresa explicou que havia, na verdade, pessoas (e não robôs ou outros softwares) revisando e transcrevendo partes de áudios trocados por usuários do Facebook Messenger.

A empresa de Mark Zuckerberg afirma que essa prática já acabou, mas talvez isso não seja suficiente para deixar as pessoas tranquilas, não é mesmo?

Não raro, outros apps e serviços viram alvos de suspeitas, como aconteceu em agosto de 2019 com o navegador Safari.

No fim das contas, porém, parece que há uma tendência entre os usuários em concordar que os celulares, ou os aplicativos, estão nos escutando. Enquanto isso, parece haver uma tendência entre os desenvolvedores em dizer que isso não ocorre.

Em todo caso, é bom que você saiba que existem alertas no sentido de informar que “sistemas de reconhecimento de voz podem permanecer ativos 24 horas por dia se usuário não bloquear acesso ao microfone”.

Então vale avaliar as concessões que você dá aos apps e até reavaliá-las, caso considere necessário.

Por que o celular escutaria nossas conversas?

Sem afirmar com segurança que o celular escuta conversas e sem bater o pé para dizer que isso não acontece, vamos a uma explicação possível e provável para essa situação.

Aplicativos instalados em nossos smartphones podem ter interesse em ouvir nossas conversas meramente por questões mercadológicas.

Lembra-se da situação que descrevemos com exemplo logo no início deste post? Pois é.

Informação sobre os consumidores é commodity valiosa nos dias de hoje. Se um aplicativo tem acesso ao microfone e de fato “escuta” as conversas, pode usar as informações colhidas a seu favor, inclusive repassando-as a terceiros.

Ainda que não possamos cravar isso, o objetivo dessa escuta pode ser apenas fazer marketing cada vez mais direcionado e assertivo, ou seja, cada vez mais poderoso para gerar vendas.

Zohar Pinhasi, especialista em cibersegurança e CEO da MonsterCloud explica que “você precisa se comportar sob a suposição de que alguém está sempre observando o que você faz”. O que dá brecha para supor que, mesmo com acessos negados, aplicativos talvez ainda consigam nos vigiar de alguma forma.

Ainda, não podemos deixar de fora a possibilidade de uma invasão hacker que pode ter como objetivo real o de coletar informações privadas a nosso respeito.

Dicas de privacidade no celular

É, se você veio na expectativa de saber com certeza se o celular escuta conversas ou não, lamentamos não conseguir dar uma resposta clara ― talvez ninguém consiga, a menos que estejam por dentro do funcionamento das empresas desenvolvedoras dos aplicativos.

Com isso, por via das dúvidas, vamos a algumas dicas que podem garantir a você um pouco mais de privacidade ao usar seu smartphone ou outro dispositivo móvel:

  • Leia os termos de uso ou pesquise sobre as autorizações que um aplicativo pede. É interessante fazer isso, sobretudo quando um app é novo e pouco conhecido, ou quando viraliza (como aquele que transforma a foto de uma pessoa jovem em seu “eu do futuro”);
  • Sempre baixe os aplicativos direto da app store e, na dúvida sobre a origem de um programa, pesquise e peça ajuda a amigos;
  • Reveja as autorizações de acesso concedida aos aplicativos. Se você não sabia do que leu neste post, uma tranquilidade é descobrir que você pode retirar o acesso dos apps a microfone, câmera e GPS, se assim desejar.
  • Basta acessar as configurações de privacidade e verificar as permissões de cada app. É importante ter em mente, porém, que se você cancelar todos os acessos, pode perder funcionalidades dos aplicativos.
  • Analise cada situação. Há casos, por exemplo, em que você pode autorizar o GPS, que dá informações sobre sua localização geográfica, apenas quando o app estiver em uso.
  • Se você não confia na declaração do Facebook de que não escuta mais suas mensagens, vá nas configurações do aplicativo e selecione “Negar” ao acesso ao microfone;
  • Caso sua preocupação esteja alta, procure saber se os dispositivos e aplicativos que você usa dão acesso a gravações feitas. Se isso não ocorre, vai ser preciso abrir uma solicitação.
  • Quando ocorre, você pode excluí-las e até solicitar que o conteúdo não seja analisado. Essa é uma possibilidade dada aos usuários da Alexa, a assistente virtual da Amazon, por exemplo (embora alguns dados permaneçam retidos);
  • A desconfiança persiste e você se incomoda com a ideia de que aplicativos ou até pessoas podem estar ouvindo suas conversas? Deixe o celular longe ou dentro de uma bolsa ou mochila enquanto estiver em conversas privadas.

Se não podemos mostrar as cartas e provar por A + B que o celular escuta conversas, ao menos, podemos contar com dicas de como evitar que a privacidade seja invadida ― ou minimizar isso um pouco.

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