Há quem pense que o Dia Internacional da Mulher é uma data puramente comercial voltada para a venda de flores ou bombons para que elas sejam presenteadas. A verdade não é bem essa! O que você sabe sobre o assunto?

Certamente, há quem saiba fazer belas homenagens às mulheres em seu dia, mas há também quem fique muito confuso ao ouvir não se trata de um dia de homenagens, mas de reflexão e luta.

Acreditamos que conhecer um pouco da história do Dia das Mulheres vai ajudar você a entender por que essa questão é levantada e por que a data é mais significativa e séria do que parece. Vamos lá?

Quando e por que tudo começou

O Dia Internacional da Mulher foi oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, mas a data é celebrada desde o início do século XX.

A ideia, na verdade, surgiu ainda no final do século XIX, mas foram eventos ocorridos no início do século seguinte que originaram a celebração que conhecemos até os dias de hoje.

Naquela época, mulheres de diferentes partes do mundo começaram movimentos em busca de igualdade de direitos, sendo questões de âmbito trabalhista as principais propulsoras dos manifestos, greves e comitês.

Adiante, vamos ver um pouco mais sobre episódios que marcaram a luta das mulheres e que se tornaram marcos para a definição do Dia Internacional da Mulher.

Antes disso, convém saber que nem tudo girava em torno do trabalho. Em um dos movimentos históricos, ocorrido em 28 de fevereiro de 1909, mais de 15 mil mulheres saíram às ruas de Nova York para reivindicar melhores salários, jornadas melhores e o direito ao voto.

Há situações trágicas associadas às más condições a que mulheres eram submetidas nas fábricas que estão ligadas aos movimentos em busca de igualdade.

Apesar disso, é importante ressaltar que as reivindicações das mulheres não nasceram somente de tragédias, mas do crescente engajamento político quanto o tratamento que merecem receber da sociedade.

Eventos marcantes que precederam o Dia da Mulher

A já mencionada manifestação de 1909, em Nova York, está entre os primeiros eventos de que se tem conhecimento entre os que poderiam fazer parte de uma linha do tempo até a oficialização do Dia Internacional da Mulher.

Em 1910, a conferência da Internacional Socialista proclamou o Dia Nacional da Mulher, ainda que uma data específica não houvesse sido definida. Entre os objetivos estava o direito de voto, o acesso à educação, a não discriminação trabalhista e outros pontos básicos.

Clara Zetkin e a defesa dos direitos das mulheres

Enquanto isso, na Europa, o movimento de origem operária se intensificava. Naquele mesmo ano, a alemã Clara Zetkin propôs, na II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, que uma série de manifestações fossem feitas em reivindicação a melhoria de condições e igualdade de direitos.

Com base em registros, a proposta de Zetkin era a realização de uma jornada anual de manifestações realizadas por mulheres, em busca de igualdade de direitos.

Isso porque, como é fácil entender, a situação das mulheres eram diferentes e piores do que as dos homens ― uma realidade que melhorou, mas ainda precisa evoluir.

A partir da proposta de Zetkin, a primeira data escolhida para o Dia Internacional da Mulher foi 19 de março, tendo sido celebrado em países como Alemanha, Áustria, Dinamarca e Suíça.

A tragédia que escancarou a necessidade da luta

Entretanto, o evento que para nós brasileiras e brasileiros é mais comumente apontado como ponto de partida para a criação da data ― posteriormente definida como 8 de março ― foi um incêndio ocorrido em 1911, também em Nova York.

Em meio à Revolução Industrial, um incêndio atingiu a fábrica da Triangle Shirtwaist Company. Ao todo, foram 146 vítimas, sendo a maioria delas (125) mulheres.

A história conta que naquela época, era comum que os proprietários de fábricas trancassem os trabalhadores durante o expediente para evitar greves e motins ― algo que teria acontecido no dia 25 de março na Triangle.

Ao que se sabe, o incêndio foi causado por uma combinação de fatores: a má qualidade das instalações elétricas da fábrica, a composição do solo e o alto volume de tecidos no local, o que acabou por alimentar o fogo.

A tragédia escancarou a realidade das condições de trabalho na Revolução Industrial, sobretudo em relação ao ambiente e aos riscos a que as mulheres, em maioria, eram expostas.

A Revolução Russa e o 8 de março

Em 1917, ainda durante a Primeira Guerra Mundial, as mulheres russas saíram às ruas para fazer revolução. Motivadas pelo alto número de soldados mortos e para se manifestarem contra a fome, um grupo de operárias saiu às ruas para clamar por mudanças.

Os protestos tiveram início em 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo (8 de março no calendário gregoriano) e o movimento serviu como pontapé inicial para a Revolução Russa. O movimento cresceu com mobilização geral, provocou a abdicação do czar e a nomeação de um Governo Provisório que concedeu às mulheres o direito ao voto.

Como consequência, a Rússia adotou o 8 de março como data para celebrar a “mulher heróica e trabalhadora”, sendo instituído por lá um feriado nacional. Gradativamente, outros países foram aderindo ao movimento que, até os dias de hoje, reivindica a devida igualdade.

A oficialização do Dia da Mulher pela ONU

Como mencionado, foi só em 1975 que o Dia Internacional da Mulher foi oficializado pela ONU, mantendo o 8 de março.

A socióloga Eva Blay ressaltou à BBC News Brasil que o dia tem “uma importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece até hoje. As condições de trabalho são ainda piores para as mulheres”.

Reflexão e luta nos dias de hoje

Mesmo com o resgate histórico que indica a importância do Dia Internacional da Mulher, algumas pessoas ainda têm dificuldades para entender porque em pleno ano 2020, mulheres ainda alegam que precisam reivindicar seus direitos.

É que, de fato, muita coisa melhorou com o passar do tempo e o fato de que, no Brasil e em boa parte do mundo, mulheres tenham direito a votar, trabalhar, dirigir e etc. faz com que muitos acreditem que já está tudo bem.

A verdade é que ainda não está. Basta termos em mente alguns dados concretos que provam que:

  • mesmo sendo maioria com ensino superior, mulheres ainda ganham menos do que homens (IBGE/Agência Brasil);
  • a taxa de participação de mulheres no mercado de trabalho ainda é inferior à dos homens e um dos fatores cruciais é a dupla jornada ― são elas as principais responsáveis pela realização de afazeres domésticos, realidade que impõe às mulheres a chamada dupla jornada que desmotiva sua participação no mercado e prejudica sua progressão profissional (IBGE/Agência de Notícias);
  • na contramão dos crimes violentos, o feminicídio cresceu 7,2% no Brasil de 2018 para 2019. A violência e as taxas de homicídio feminino são indicativos da desigualdade de gênero no país (Secretarias de Segurança Pública).

Uma série de outros dados atuais reforça que a desigualdade persiste e o mesmo vale para relatos que podem ser facilmente colhidos sobre assédio sexual e moral que mulheres ainda sofrem nos dias de hoje.

Como sugeriu Eva Blay, “já faz mais de cem anos que isso [desigualdade] foi levantado e é bom que a gente continue reclamando, porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental”.

Violência, feminicídio, direito de decidir sobre o próprio corpo, abusos morais, discriminação e diferenças salariais estão entre as questões que ainda são reivindicadas.

Com isso, entende-se que o dia 8 de março segue como um dia de luta e reflexão, um dia para lembrar que a sociedade ainda precisa evoluir em busca pela equidade.

Flores e bombons? Talvez essa seja uma questão pessoal para cada mulher. O que a história do Dia Internacional das Mulheres nos indica é que, não só a cada 8 de março, é preciso agir para eliminar a desigualdade.

Para muitas, as homenagens do Dia das Mulheres têm seu espaço, mas é o convite à reflexão e à mudança diária ― feito a elas e a eles ― é que é reforçado anualmente desde o final do século XIX.

Você sabia?

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