O que você sabe sobre o movimento musical brasileiro que nasceu na esquina mais famosa de Minas Gerais? Talvez você conheça as músicas, mas se ainda não sabe a história do Clube da Esquina, este post é para você.

Nem só de comida boa vive o povo mineiro e, como belo-horizontinos, nós da Obabox estamos felizes por poder contar a você um pouco mais sobre Milton Nascimento e seus companheiros de “clube”. Vamos lá?

O que foi o Clube da Esquina

O encontro das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, forma a esquina mais famosa das Minas Gerais. O espaço físico de um clube ― como sugerido pela exportação do termo Corner Club ― nunca existiu, mas o ponto de encontro, sim.

Foi então, literalmente em uma esquina de BH, que um grupo de jovens músicos começou a se reunir para criar, antes de mais nada, a amizade que foi a fundação do movimento musical do Clube da Esquina.

Era 1983 quando a amizade entre Milton Nascimento e os irmãos Marilton, Marcio e Lô Borges, aliada à suas afinidades artísticas e poéticas, os fizeram dar início ao Clube da Esquina.

Com o tempo, outros integrantes chegaram para compor o Clube. Entre eles, estavam  Flávio Venturini, Tavinho Moura, Toninho Horta, Beto Guedes, Fernando Brant, Ronaldo Bastos e Murilo Antunes.

Atraindo atenção ao se reunir para compor e tocar violão, os artistas foram convidados a se apresentar em um clube frequentado por classes mais abastadas. Recusaram dizendo que “nosso clube é aqui mesmo, na esquina”.

Oficialmente, há quem diga que o movimento começou de fato em 1972, ano do lançamento do primeiro LP da turma também intitulado Clube da Esquina. Ainda que mais nomes estivessem envolvidos, o disco foi creditado a Milton e Lô Borges que eram apontados como líderes.

Uma “oficina de ideias” de Minas para o mundo

O processo de lançamento do primeiro LP ― o segundo veio em 1978 com o nome de Clube da Esquina II ― foi uma verdadeira “oficina de ideias”. Termo apresentado pelo próprio Lô Borges.

Ainda que Milton Nascimento fosse o “irmão mais velho” da turma e ponto central do projeto, os demais tinham ampla liberdade para apresentar suas ideias e contribuir para a criação do todo.

Além de contar com uma boa dose de mineiridade, o som do Clube da Esquina bebia em diversas fontes: MPB clássica, Bossa Nova, tropicalismo ― ou seja, influência de diferentes outros movimentos musicais brasileiros ―  jazz fusion, música experimental e mais. O resultado, pautado por uma boa e sofisticada harmonização, era inédito e talvez estranho e atraente ao mesmo tempo.

Os músicos, porém, não precisaram esperar o lançamento dos álbuns para ultrapassar os limites de Minas Gerais, se fazerem conhecidos no Brasil e até em outras partes do mundo.

A verdade é que o Clube da Esquina, uma das principais contribuições mineiras para a cultura nacional, foi um movimento propulsor da carreira individual de diversos de seus membros. O sucesso chegou para os cantores, os instrumentistas, os compositores.

Alguns, como Milton Nascimento, inclusive já eram conhecidos na cena cultural. Para que você tenha uma noção mais clara, Clube da Esquina foi o quarto álbum de estúdio do artista carinhosamente chamado de Bituca.

Quando da concepção do referido LP, Milton já havia se mudado para o Rio de Janeiro e era reconhecido pela música Travessia. Foi depois disso, que voltando à Belo Horizonte, convidou Lô Borges para que juntos tocassem o projeto de gravação do álbum do Clube.

O contexto histórico e dos membros do Clube

A arte é fruto da relação entre o ser humano e o mundo. Sendo assim, é difícil falar de um movimento musical brasileiro como o Clube da Esquina sem comentar seu contexto.

O início dos anos 1970, que coincide com o lançamento do primeiro LP da turma, marca um momento de forte repressão e censura ocasionado pela ditadura militar instaurada no país.

Esse momento influenciou a produção artística brasileira muito porque, na análise de estudiosos como Paulo Thiago de Mello, “a repressão naquela época empurrou artistas diversos para produções criativas”.

Era justamente esse contexto o responsável por inspirar canções que retratam, de alguma forma, a realidade áspera do momento.

Algo que Paulo explica dizendo que “a ditadura militar impunha um elemento de urgência. E isso é algo que quem não viveu aqueles dias pode ter dificuldade de entender”.

Nem só dessa dor, porém, tratam as músicas do Clube da Esquina. Há muito sobre amizade e o impulso que a juventude proporciona a favor da esperança e do vislumbre de um outro futuro.

Além de tudo isso, convém dizer que os amigos que deram início ao movimento não tinham condições financeiras de frequentar clubes onde aconteciam bailes e festas dançantes.

A situação conta como elemento extra a propiciar a comunhão de ideias, sensações e interesses que formaram a base do Clube da Esquina.

As principais músicas do Clube da Esquina

Ao todo, considerando os dois álbuns de estúdio lançados, o Clube da Esquina tem 44 músicas.

Para este post, selecionamos alguns destaques que merecem ser ouvidos por você que está conhecendo o movimento apenas agora ou por você que já conhece e só deseja curtir mais um pouco esse som!

Tudo que você podia ser

Tudo que você podia ser é a faixa de abertura do primeiro álbum do Clube da Esquina. Composta por Marcio e Lô Borges, tem a interpretação de ninguém menos do que Milton Nascimento.

Em 2016, foi apontada pelo site americano Pitchfork como uma das 200 melhores músicas lançadas nos anos 70. A canção foi classificada como ”inspiradora” e com uma letra ”cuidadosamente composta”, coisa que a gente por aqui já sabia, não é mesmo?

Trem azul

Composta por Ronaldo Bastos e Lô Borges e originalmente interpretada pelo segundo, Trem azul é uma das músicas mais conhecidas do Clube da Esquina.

Até mesmo um comercial da empresa de telefonia TIM, lançado em 2012, está entre os fatores que contribuem para a “contemporaneidade” da canção. Outro deles é uma apresentação feita por Lô Borges e Samuel Rosa, da banda Skank:

Paisagem na janela

Paisagem na janela é mais uma canção interpretada por Lô Borges que também participou de sua composição junto com Fernando Brant.

“Da janela lateral. Do quarto de dormir…”.

Arriscamos dizer que quem não reconhece esses versos por conhecer a música, os reconhece por já tê-los lido em alguma legenda de foto postada nas redes sociais!

Maria, Maria

De todas as que mencionamos até aqui, é provável que a mais envolvente seja Maria, Maria, a única da lista que é do Clube da Esquina II.

A música é de Milton Nascimento, Fernando Brant e contagia a galera até os dias de hoje porque sua letra tem mesmo um poder de inspirar aqueles que a ouvem. Ou você acha que não? Dica: assista ao vídeo até o final para ver o envolvimento da platéia!

E por falar em “até os dias de hoje”, finalizamos este texto mencionando que se você quiser ver o Clube na Esquina na ativa, pode ter essa chance. Mais de 50 anos depois da formação da turma, alguns de seus integrantes seguem na ativa.

Sabia que Clube da Esquina é considerado um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos? Desses que são dignos de ser ouvidos com o chiadinho do vinil em sua ObaVintage!

Share:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *