Longe da gente querer pintar o smartphone como vilão porque sabemos bem o quão úteis esses aparelhos são. Porém, se você tem dificuldades para dormir, precisamos contar que o celular pode estar prejudicando seu sono!

Tem gente que leva o smartphone para cama para responder a algumas mensagens, acompanhar as últimas notícias, organizar a agenda digital e, claro, dar um passeio pelas redes sociais antes de dormir.

Parece tudo muito natural para os dias de hoje, não é?

Pois é, por mais comuns que esses hábitos sejam, eles podem estar por trás de noites mal dormidas e é esse o tema da conversa neste post.

Acompanhe!

Luminosidade e insônia

Você já ouviu falar em melatonina? Conhecida como “o hormônio do sono”, a melatonina é uma substância naturalmente produzida pelo nosso cérebro quando o dia começa a escurecer.

Seu propósito é o de avisar o organismo de que a hora de dormir se aproxima e, como isso, nos preparar para uma noite de sono reparador. Quem é que não gosta de dormir bem, hein?

No Brasil, mais de 73 milhões de indivíduos tem insônia e há diversos fatores que podem estar atrelados ao problema: situações de estresse, alimentação desregulada e pobre em nutrientes, prática de exercícios físicos no período da noite, ausência de uma rotina e etc.

Além desses fatores, outra causa possível da insônia é a luz das telas dos smartphones.

Os celulares modernos são conhecidos por ter uma “luz azul” que diminui os níveis de melatonina, ou seja, que afeta a produção da substância pelo organismo.

Como consequência, algumas pessoas simplesmente não sentem sono suficiente para pegar no sono ou, ainda que consigam dormir, acabam tendo uma noite ruim e acordando cansadas.

Por essa razão, a recomendação de especialistas é para que paremos de mexer no celular cerca de duas ou três horas antes do horário de ir para a cama.

Vale a pena tomar suplemento de melatonina?

Em certos países, suplementos ou comprimidos de melatonina podem ser facilmente encontrados e comprados sem receitas.

Considerando que o uso de telas é constante e que há uma série de outras causas “modernas” por trás da insônia, são muitos os adeptos.

Em contrapartida, também são muitos os críticos da prática de suplementar melatonina. Atualmente, no Brasil, não há nenhum medicamento registrado na Anvisa que tenha a melatonina como princípio ativo, segundo informa a própria Agência.

Entre as questões pontuadas por especialistas, destacamos algumas explicações do neurologista comportamental Fabio Porto, em entrevista ao portal Uol:

“Os estudos clínicos sobre o uso da melatonina como suplemento não são definitivos. Em tese, a substância nos faz dormir bem, mas precisamos estudar e fazer testes para ver como essa melatonina ingerida, que não é produzida pelo nosso corpo, funciona de fato no organismo“.

Ainda, Porto diz que ninguém sabe ao certo qual o melhor momento para que o suplemento seja consumido, tampouco qual é a dose ideal para cada pessoa.

Em meio à incertezas, há médicos que receitam a suplementação a seus pacientes e, para esses casos, a Anvisa informa que a importação do medicamento é permitida pela legislação.

Com tudo isso, se você pensa em driblar o uso excessivo do smartphone no período da noite com o consumo de melatonina, saiba que a solução pode não ser tão simples quanto parece.

Excesso de informação e insônia

A melatonina está relacionada ao ciclo ou ritmo circadiano; um período de cerca de 24 horas no qual o ciclo biológico de cada indivíduo é baseado.

Com isso, é de se entender que a melatonina tem influência na definição desse ciclo.

Acontece que ainda que um “padrão” possa ser apontado, pessoas diferentes podem ter ciclos ou ritmos diferentes.

Basta pensar que, em uma mesma família, é possível encontrar gente que adora acordar cedo e começa o dia cheia de energia e gente que está longe de ser considerada uma pessoa matinal.

Com isso, pode ser que a luz azul dos smartphones e a inibição da melatonina se dê de formas diferentes ou tenha efeitos mais ou menos significativos para cada indivíduo.

Considerando essa possibilidade, vamos a outra possível causa da insônia: o consumo excessivo de informações.

Informações são estímulos. Quer você leia um e-mail de trabalho ou rode as redes em busca de memes engraçados, o seu cérebro vai reagir a essas mensagens de alguma forma.

De um modo geral, ainda que você só esteja subindo e descendo o dedo sobre a tela, sem prestar muita atenção ao que lê, vê ou ouve, o que você está fazendo é manter sua mente ativa; algo que contribui para despertar o cérebro e faz com que o organismo interprete que não é hora de dormir.

FOMO ― Fear of Missing Out ou Medo de perder algo

Identificada em 1996, a síndrome do FOMO é caracterizada como “uma ansiedade geral sobre a ideia de que outras pessoas possam estar tendo experiências satisfatórias sem você”.

Essas experiências não precisam ser presenciais e o medo de perder algo também pode estar relacionado a uma necessidade contínua de estar conectado, o que costuma exigir smartphone em mãos mesmo na hora de dormir.

Ficar o tempo todo com o celular, inclusive, é um dos tipos de FOMO mais comentados nos últimos anos. Às vezes, a pessoa nem percebe essa ansiedade que, entre outros problemas, pode causar a insônia.

Há casos em que a síndrome do FOMO demanda acompanhamento profissional para que seja controlada, mas também há casos em que a pessoa consegue se impor a autodisciplina por conta própria.

Dicas para usar o smartphone e dormir bem

Como dissemos no início do post, nossa intenção está longe de ser a de vilanizar o smartphone e fazer você pensar que precisa abrir mão dessa tecnologia que se tornou tão essencial a nós.

Todo alerta feito, ainda que possa ter gerado algum desconforto enquanto você lia, nos serve de base para dar uma boa notícia: você não precisa deixar de usar seu smartphone para dormir bem.

Na verdade, o que você precisa é de compromisso com a qualidade de suas noites, e há uma série de motivos para cuidar da saúde do seu sono. Entre eles, reduzir o estresse, a irritabilidade e permitir que seu organismo se recupere dos esforços do dia a dia e se mantenha forte.

Assim, aqui vão algumas dicas para que o uso do celular não seja um problema:

  • Lembre-se de que ninguém paga você para ler e-mails de trabalho antes de dormir, então, seja o primeiro ou a primeira a respeitar seus horários;
  • Não responder a uma mensagem tarde da noite não fará de você uma pessoa ruim, normalize deixar para depois;
  • Tenha em mente que muitas das coisas que você pode ter “medo de perder” se não rodar as redes não são tão relevantes assim e, ainda, podem ser vistas em outros momentos;
  • Estabeleça uma rotina e tente dormir sempre no mesmo horário. Seu organismo agradece e, assim, fica mais fácil saber quando parar de usar o smartphone;
  • Cultive novos hábitos que não prejudicam seu sono para desfrutar as horas antes de dormir, como a leitura acompanhada de um bom chá.

Com essas dicas, você seguirá tirando o máximo de proveito do seu smartphone, mas sem deixar a tecnologia dominar você a ponto de prejudicar seu sono e sua qualidade de vida.

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