De Elza Soares à Iza, de Ana Carolina à AnaVitória e muito mais. A história das mulheres na música brasileira é rica e plural, repleta de talentos para agradar aos fãs de diferentes estilos e gêneros musicais.

Este post faz parte das publicações especiais de março, mês do Dia Internacional da Mulher, do Obablog. Por essa razão, selecionamos algumas das cantoras que fizeram, fazem e, esperamos, farão sucesso no cenário nacional e até mundial.

Confira!

Cantoras brasileiras clássicas

1 Elza Soares (1937 – *)

Não há dúvidas de que muitas cantoras brasileiras poderiam ser apresentadas neste post, mas é escolher Elza Soares para abrir a lista é significativo. Isso porque sua história vida foi de luta e mais luta por anos a fio.

Elza Conceição Soares é nascida e criada em uma favela do bairro de Água Santa, no Rio de Janeiro. Filha de uma lavadeira e de um operário, Elza faz parte da lista de meninas que foram obrigadas a se casarem precocemente ― como, infelizmente, era comum à época.

Com apenas 12 anos, ela se tornou esposa e foi mãe pela primeira vez aos 13. Aos 21, já havia perdido o marido por doença e dois de seus filhos que morreram de fome. Inclusive, foi para tentar conseguir o sustento da família que Elza tentou a sorte no programa de calouros da Rádio Tupi.

Na ocasião, Elza foi ironizada e desacreditada por sua aparência, mas não se deu por vencida. Cantou, encantou e começou a conquistar fãs com sua voz única.

Em meio ao sucesso, Elza Soares conheceu e se apaixonou pelo jogador Garrincha com quem teve um filho ― que morreu ainda criança em um acidente de carro ― e viveu uma relação conturbada, marcada pelo alcoolismo do marido e pela violência doméstica.

Foi assim, em meio à uma vida pessoal bastante turbulenta ― inclusive como alvo da Ditadura Militar ― que Elza colocou o coração e o talento nas músicas que, felizmente, compartilhou conosco.

Entre 1997, Elza Soares foi eleita “cantora do milênio” pela BBC Londres. Um de seus sucessos recentes é Mulher do Fim do Mundo.

2 Maria Bethânia (1946 – *)

Maria Bethânia Viana Teles Veloso, nossa “abelha rainha”, é nascida em Santo Amaro da Purificação, na Bahia ― sem dúvida, estado reduto de talentos da música nacional. Irmã caçula de Caetano Veloso, para muitos Maria Bethânia é uma das maiores e melhores cantoras brasileiras.

Desde cedo, Maria Bethânia sonhava com a vida artística e, ainda que seu desejo de infância fosse ser atriz, o talento para a música falou mais alto. Quando jovem, participou de espetáculos ao lado de nomes como Tom Zé, Gal Costa e Gilberto Gil, além de ter estrelado peça de ninguém menos do que Nelson Rodrigues.

Oficialmente, sua estreia como cantora profissional aconteceu em 1965, quando substituiu Nara Leão no espetáculo Opinião. Naquele mesmo ano foi contratada pela gravadora RCA, onde lançou seu primeiro disco.

Apresentando-se no Rio e em São Paulo, passou a ser conhecida nacionalmente. O sucesso foi tamanho que Bethânia se tornou a primeira cantora brasileira a vender mais de um milhão de cópias de um mesmo disco ― Álibi, de 1978. No álbum, uma das faixas é Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil.

Além do talento como intérprete, Maria Bethânia chamava a atenção por quebrar padrões de beleza, usando seus cabelos soltos e volumosos, roupas largas e até mesmo pés descalços.

Cantoras brasileiras recentes

3 Anitta (1993 – *)

Larissa de Macedo Machado, internacionalmente conhecida com Anitta, é uma cantora brasileira que divide opiniões desde que começou a fazer sucesso.

Pouco a pouco, inclusive em razão do espaço que ela conquistou no exterior, há quem ceda à ideia de que, ainda que não goste do som, é difícil negar o talento de Anitta.

Nascia em Honório Gurgel, no Rio de Janeiro, Anitta começou sua carreira ainda aos 8 anos, cantando no coral da igreja. Ainda aos 11, ela decidiu usar sua mesada para fazer aulas de inglês e, aos 16, concluiu o curso de administração feito em uma escola técnica da Tijuca.

Em 2009, obstinada a seguir o sonho de ser cantora, Anitta começou a divulgar vídeos no youtube em que cantava e dançava. Com isso, chamou atenção da Furacão 2000 ― uma produtora de funk carioca ― e é neste ponto que o preconceito começa para muita gente.

Show das Poderosas foi uma das músicas que fez Anitta “bombar” na cena nacional. Ao longo de sua trajetória, Anitta recebeu e segue recebendo elogios e críticas em meio às quais decidiu que o Brasil era pequeno demais para as suas ambições e partiu em busca de seu espaço lá fora.

Deu certo e Anitta tem parcerias de sucesso com artistas como Alesso e Snoop Dogg. Hoje, responsável pela própria carreira, a visão da cantora chama atenção de grandes empresas como a Skol que a escolheu para ser head de criatividade e inovação.

4 Pitty (1977 – *)

Do funk e do pop de Anitta, migramos para o rock de Priscilla Novaes Leone, mais conhecida como Pitty. A “princesa do rock” nacional nasceu em Salvador e está profissionalmente na ativa desde 1997.

Aos 17 anos, começou sua trajetória profissional como uma das mulheres na música nacional como baterista de uma banda de punk rock chamada Shes e formada só por mulheres.

Alguns anos depois, aceitando um convite para assinar com a gravadora Deckdisc, Pitty lançou Máscara, seu primeiro single que fez sucesso pelas rádios de todo o país.

Pouco a pouco, virando febre, sobretudo entre os adolescentes, Pitty foi se consagrando como um dos maiores nomes do rock brasileiro contemporâneo entre mulheres e homens.

Na cena musical, como multi-instrumentista e cantora brasileira, mãe, escritora, produtora e empresária, Pitty também se destaca pelo posicionamento a favor da causa feminista que nada mais é do que a luta pela equidade:

“Nunca deixei de me posicionar contra a submissão da mulher. Desde muito nova, todas as minhas atitudes diziam isso. Eu posso ser completamente diferente de outra mulher. Me vestir diferente, ser ideologicamente diferente, mas, se no final do dia, for julgada por gênero, ela também será. As pessoas não entendem como o machismo é nocivo pra sociedade”.

5 Iza (1990 – *)

Nascida no bairro de Olaria, no Rio de Janeiro, Isabela Cristina Correia de Lima Lima é uma cantora brasileira mais conhecida pelo nome artístico Iza.

Ela começou a cantar aos 14 anos, no coral da igreja. Tendo cursado faculdade de Publicidade e Propaganda, começou a trabalhar como editora de vídeos e mesclou suas habilidades para divulgar seu talento como cantora brasileira no Youtube.

Graças ao seu canal na plataforma, Iza foi descoberta pela gravadora Warner Music. A partir daí, teve singles ou interpretações usadas em novelas nacionais e campanhas publicitárias.

Em 2017, Iza começou a gravar seu primeiro álbum que tem Pesadão, em parceria com Marcelo Falcão (O Rappa), como um de seus principais sucessos ao lado de Dona de Mim.

Dona de Mim, inclusive, é uma música que tem o empoderamento feminino como tema. O sucesso de Iza é muito celebrado não só pelo seu talento, mas por representar a abertura de portas a jovens negras no cenário musical nacional.

Não sem motivo, ela busca parcerias com nomes como Rincon Sapiência, Carlinhos Brown, Gloria Groove, Thiaguinho e Liniker.

Cantoras brasileiras nova MPB

6 Anavitória (1994 e 1995 – *)

Ana Clara Caetano Costa é de Goiânia e Vitória Fernandes Falcão de Araguaiana. Elas se conheceram no Tocantins e, na época da faculdade, gravam vídeos juntos, interpretando músicas de seus artistas favoritos.

Em 2014, gravaram um cover de Um Dia após o Outro, de Tiago Iorc e enviaram para o empresário que gerencia a carreira do artista, Felipe Simas. Simas gostou do que ouviu e convidou o duo a gravar um EP com produção de Iorc.

Foi nesse projeto que surgiu Anavitória, alcançando o Brasil com hits como Trevo (Tu) e Agora eu quero ir, que fez parte da trilha sonora de Malhação.

Em uma combinação de pop e folk, Anavitória é um duo de cantoras brasileiras comumente classificadas como representantes da nova MPB ou de uma MPB contemporânea. Algo que já é suficiente para quem ainda não as conhece entender porque a dupla aparece na lista de cantoras brasileiras de sucesso.

7 Xênia França (1986 – *)

Para fechar a lista de mulheres na música, um nome que talvez ainda não tenha o mesmo sucesso que nenhuma outra das artistas mencionadas, mas que merece destaque: Xênia França.

Nascida no Recôncavo Baiano, Xênia foi para São Paulo trabalhar como modelo, mas esbarrou nas barreiras ainda impostas pelo preconceito racial. Naquela época, ela se reunia com amigos para cantar em casa e, dessa brincadeira, acabou decidindo tentar uma mudança na carreira.

Xênia começou a cantar em bares em 2008, conheceu Emicida ― fez participação em músicas do rapper ― e, em 2017, lançou seu primeiro álbum solo, homônimo.

“Meu disco é meu manifesto de cura. Por muito tempo, os artistas da Bahia, principalmente os negros, ficaram encurralados com o axé como uma coisa caricata. Fico feliz de ver a cena baiana vivendo sua potência com tanta gente maravilhosa”, declarou.

Misturando jazz, música eletrônica e ritmos cubanos, Xênia fez turnê internacional, participou do Rock in Rio 2019 e foi a primeira artista brasileira a se apresentar no famoso canal COLORS.

O reconhecimento como cantora brasileira lhe rendeu outros frutos recentes, como a música Furta-Cor gravada em parceria com a banda Scalene.

Certamente, há várias outras artistas que poderiam estar nessa lista, mas não é possível mencionar todas. Por isso, fazemos um pedido: conta pra gente nos comentários sobre outra cantora brasileira que você admira!

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