Se você é fã de música, como nós da Obabox, pode achar uma boa ideia conhecer ou simplesmente relembrar acontecimentos importantes para o cenário nacional. Que tal falarmos sobre movimentos musicais brasileiros?

Da Bossa Nova à Jovem Guarda, podemos fazer um interessante resgate para conhecer as principais características de cada som, assim como seus representantes de maior destaque. Acompanhe!

Bossa Nova

A Bossa Nova é um estilo e movimento musical brasileiro que surgiu no fim da década de 1950. A princípio, o termo “bossa nova” era utilizado com o objetivo de sugerir que se tratava de uma nova forma de tocar o samba, acolhendo influências do jazz norte-americano.

Com o passar do tempo, a Bossa Nova se transformou em um movimento tão grandioso que chegou a ser conhecido em diferentes partes do mundo. Pode fazer o teste: ao encontrar com um estrangeiro, especialmente fora do Brasil, pergunte se ele conhece “Garota de Ipanema”.

A música de Vinícius de Moraes e Tom Jobim é um dos principais “hinos” da Bossa Nova. Outro nome de destaque é o de João Gilberto, que deu voz à letra de “Chega de Saudade”, considerada a música que consagrou o novo estilo musical.

A Bossa Nova surgiu em meio à elite carioca em meio ao período de crescimento urbano do país, durante o governo de Juscelino Kubistchek. Diferente das letras que se destacavam até então, as canções do movimento retratavam temas leves que eram apresentados por uma forma de canto-falado para valorizar a voz.

Em um dado momento, em meados da década de 1960, o movimento da Bossa Nova buscou se aproximar mais de elementos nacionais, promovendo uma reaproximação com cantores de samba do morro. Algo que deu origem, por exemplo, a parcerias entre Nara Leão e Cartola.

Por volta deste mesmo período, a Bossa Nova começou a adotar um tom mais crítico, apresentando ― ainda que de forma perceptivelmente mais leve do que a Canção de Protesto ― críticas à Ditadura Militar.

O fim da Bossa Nova aconteceu quando outro movimento musical brasileiro surgiu: a MPB. Antes disso, porém, precisamos falar sobre as canções de protesto.

Quer saber mais sobre a Bossa Nova? Confira o nosso post: Movimentos Musicais Brasileiros: a Bossa Nova

Canção de Protesto

No início da década de 1960, a Canção de Protesto começou a ganhar força. De forma discreta, alguns apresentam este movimento como uma forma que os artistas encontraram para manifestar suas frustrações e críticas sobre a realidade ― algo que seguia um tom bem diferente daquele dos anos iniciais da Bossa Nova.

Entretanto, neste resgate histórico, não podemos deixar de fora o contexto. As músicas da Canção de Protesto eram manifestos contra a Ditadura Militar. Artistas de diferentes tendências políticas, mas unidos pelo desejo de um regime democrático e mais livre, deram suas contribuições.

Os temas das composições eram considerados revolucionários e as músicas eram entendidas como um convite à reflexão. A saber, fora daqui e em outros contextos, outros artistas também produziam músicas que iniciavam ou adentravam em discussões sobre a liberdade de expressão e outros temas também considerados revolucionários.

Os artistas da Canção de Protesto acreditavam que as músicas deveriam abordar questões importantes para o mundo a fim de promover mudanças. Esse pensamento combina, por exemplo, com algumas músicas apresentadas por gigantes do rock, como os Beatles e sua “Revolution”.

Por aqui, Geraldo Vandré, Caetano Veloso e Chico Buarque estão entre os nomes de destaque entre os que participaram deste movimento musical brasileiro para se opor ao regime ditatorial da época. A menção desses nomes, inclusive, nos leva a dizer que a Canção de Protesto foi influência para a MPB, movimento que veremos a seguir.

MPB

A Música Popular Brasileira ou MPB é um movimento musical brasileiro surgiu em meados da década de 1960 como uma mistura de influências e movimentos anteriores.

A MPB foi considerada uma segunda geração da Bossa Nova, mas buscava referências no folclore brasileiro. Além disso, misturou propósitos de diferentes movimentos do engajamento folclórico que, durante a ditadura, adotaram a sigla MPB como forma de unir forças em sua luta contra o regime.

Os artistas da MPB, ainda que conhecessem o perfil nacionalista do movimento em seus anos iniciais, apresentavam pouca resistência à incorporação de outras referências. É por essa razão que, até os dias de hoje, é difícil definir qual é o gênero musical deste movimento.

Fato é que a MPB se diferenciava do samba, da Bossa Nova, da marchinha de carnaval, mas tinha elementos em comum. A canção “Arrastão”, de Vinícius de Moraes e Edu Lobo, na voz de Elis Regina, é considerada um marco do início deste movimento musical brasileiro.

Com o tempo, a MPB absorveu ainda mais influências, bebendo na fonte do soul, do rock e do funk (o gênero afro-americano), abrindo portas para o samba-rock e a música pop brasileira. Nomes como o de Gilberto Gil, Tim Maia e Gal Costa foram e seguem sendo exemplos importantes do movimento.

Tropicalismo

O Tropicalismo ou Tropicália é um dos movimentos musicais brasileiros que fazem parte da MPB. É entendido também como um movimento cultural que se destacou entre 1967 e 1969.

Influenciado também pela cultura pop nacional e internacional, o Tropicalismo foi o braço da MPB que mais se engajou nas manifestações contra a Ditadura Militar. Aqui, falamos especialmente da música, mas outras formas de expressão como o teatro, o cinema e as artes plásticas seguiram o mesmo tom.

O Tropicalismo foi marcado por uma aposta na inovação estética e também criativa. Ainda que fossem formas de protesto, as músicas do movimento não eram diretas. Diferente disso, tinham letras codificadas e, para entender as mensagens implícitas, os ouvintes precisavam ter certa bagagem cultural.

Para muitos, o Tropicalismo ficou marcado pela sua aparência baseada no uso de roupas exageradamente coloridas, cabelos compridos e outros excessos. Algo que tinha a ver com o objetivo de movimento de chocar as pessoas e romper barreiras.

A música “Alegria, Alegria”, composta por Caetano Veloso, é considerada o marco do início do movimento. O Tropicalismo chegou ao fim em 1968, quando os Mutantes fizeram seu último show ao lado de Gilberto Gil e Caetano.

À época, as intervenções artísticas do movimento desagradavam o regime. Quando da última apresentação, os militares alegaram que Caetano cantou o Hino Nacional inserindo ofensas às forças armadas. Como consequência, a apresentação foi suspensa e Gil e Caetano presos.

Clube da Esquina

O Clube da Esquina é um movimento musical brasileiro da década de 1960, surgido em Belo Horizonte. Músicos locais começaram a se reunir para compor e tocar músicas com influências do jazz, do rock, da música folclórica dos negros mineiros e mais.

O “clube” surgiu da amizade de ninguém menos que Milton Nascimento e os irmãos Marilton, Márcio e Lô Borges. Eles se encontravam no tradicional bairro de Santa Tereza, onde ficavam “lá na esquina”, tocando violão.

Outros artistas como Flávio Venturini, Tavinho Horta, Beto Guedes e os letristas Fernando Brant e Francisco Antunes se juntaram e eles. “O Trem Azul” é uma das músicas que aparece no primeiro disco do Clube da Esquina, que recebeu o mesmo nome do grupo. É também uma das canções famosas do movimento.

O Clube da Esquina, nos idos dos anos de 1970, era considerado uma referência musical na MPB pela qualidade de suas composições e pelo alto nível de suas performances.

Jovem Guarda

Por fim, mas não menos importante, vamos falar da Jovem Guarda que também foi um dos movimentos musicais brasileiros da MPB. Assim como o Tropicalismo, extrapolava o universo musical e também contemplava a moda e influenciava o comportamento de seus adeptos.

A Jovem Guarda surgiu em 1965 com Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia. Tinha como principais influências o rock do final da década de 1950 e o soul característico de uma gravadora americana chamada Motown cujo som se apoiava no uso de pandeiros, baterias e instrumentos de R&B.

Além das letras românticas, o som da Jovem Guarda era envolvente porque era feliz, divertido e dançante. A descontração do movimento estava atrelada à sua capacidade de envolver o público de forma a transformá-lo em um fenômeno nacional.

A Jovem Guarda, que também contou com nomes como o de Jerry Adriani, Ronnie Von e Sylvinha Araújo, tinha ótima sintonia com o programa de auditório do Teatro Record. Assim, tinha um apelo visual e comercial muito grande.

Com tudo isso, a Jovem Guarda se tornou uma das forças propulsoras da venda de discos de vinil no país e na adoção de um visual bastante característico.

Entretanto, no final da década de 1960, Roberto Carlos deixou o programa da TV Record e movimento acabou perdendo a força até chegar ao fim.

O que você achou deste passeio pelos movimentos musicais brasileiros? Deixe um comentário e conta pra gente qual é o seu favorito!

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1 Comment

  • Eduarda Barbosa Dias, 28 de outubro de 2020 @ 08:45 Reply

    Muito interessante, muito bom mesmo, vamos conhecendo coisas novas e o início da história de cada estilo musical e desses citados acima o meu preferido é MPB

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