“Agora todo mês tem isso de um movimento associada a uma cor?”.

Abril Azul é a campanha sobre conscientização do autismo e, entre as coisas que você precisa saber é que esse tipo de movimento é muito mais do que uma simples moda.

Talvez, entre as campanhas “coloridas” que acontecem ao longo do ano, você tenha mais conhecimento sobre outras como o Outubro Rosa ou o Setembro Amarelo. Mas há várias outras que merecem a nossa atenção e que já foram ou estão sendo apresentadas no blog da Obabox.

É justamente por isso que preparamos este post para falar sobre o Abril Azul: ampliar sua consciência para que sejamos uma sociedade mais bem informada e mais acolhedora para os autistas e seus familiares. Boa leitura!

O que é o autismo

O Transtorno de Espectro Autista (TEA) ou autismo é uma condição comum a cerca de dois milhões de brasileiros que, segundo a Revista Autismo, se caracteriza por “déficit na comunicação social (socialização e comunicação verbal e não verbal) e comportamento (interesse restrito e movimentos repetitivos)”.

É importante saber que não há apenas um tipo de autismo ou espectro autista. A condição varia de acordo com os níveis de comprometimento de cada um, algo que faz com que algumas pessoas apresentem um déficit mais perceptível do que outras.

Segundo a psiquiatra Rosa Magaly Morais, o autismo é “uma alteração no neurodesenvolvimento” que acontece por diversas causas e que, infelizmente, está acompanhada de estigmas que retardam o diagnóstico e que levam à exclusão de muitas pessoas que têm essa condição.

Causas, sintomas e tratamento

O autismo é multifatorial. Um estudo científico divulgado em 2019 aumentou a lista das pesquisas que indicam que fatores genéticos são principais responsáveis pela causa dessa condição.

Além disso, causas ambientais como o uso de determinados medicamentos pela mãe ou complicações no parto também são consideradas pelos especialistas.

O que não causa autismo são vacinas como a contra o sarampo, a rubéola ou a caxumba. É importante fazer esse esclarecimento porque há um mito, ou seja, uma ideia sem qualquer comprovação científica que relaciona essas vacinas à condição.

Os sintomas variam muito de um indivíduo para o outro, podendo ser percebidos mais facilmente e mais cedo ou até mesmo serem “ignorados” por toda a vida. A seguir, listamos alguns dos indicativos de que uma pessoa pode ter TEA, mas o diagnóstico do autismo é essencialmente clínico, ou seja, depende de avaliação profissional:

  • não atende ou não atendida pelo nome até o primeiro ano de vida;
  • evita o contato visual;
  • tem dificuldade para entender sentimentos;
  • não tem o costume ou não usa gestos para se comunicar;
  • tem dificuldade para entender piadas ou sarcasmo;
  • tem interesse restrito ou hiperfoco.

Uma vez que o diagnóstico clínico for feito comprovando o autismo, um tratamento adequado será apontado pelos profissionais envolvidos. O TEA pode demandar tratamento multidisciplinar com sessões de psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e outros.

O autismo não tem cura, mas o acompanhamento profissional contribui em diferentes níveis para que a pessoa se torne mais independente.

Em casos mais severos ― como de autistas que ficam muito nervosos com situações que lhes são desconfortáveis e outros ― o uso de medicação prescrita por psiquiatras ou neurologistas.

O que é o Abril Azul

Em 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Uma decisão que deu origem ao Abril Azul.

Na data, cartões postais de diversas partes do mundo, como o Cristo Redentor, são iluminados na cor azul para chamar a atenção e lembrar a todos sobre as pessoas com TEA.

fonte: revistaautismo.com.br

Em 2020, pela primeira vez, toda a comunidade envolvida na causa autista no Brasil adotou um mesmo tema para ganhar relevância em abril:  “Respeito para todo o espectro”.

Postagens celebrativas nas redes sociais estão sendo marcadas com a hashtag #RESPECTRO e você pode pesquisar por ela para aprender mais sobre o assunto e ver como autistas, seus familiares e outros agentes se posicionam.

Como participar da campanha

A participação na campanha Abril Azul é um convite feito à sociedade em geral, sobretudo à instituições de Saúde ou profissionais da área.  Para especialistas e clínicas, por exemplo, algumas as sugestões são:

  • convidar médicos, terapeutas e até pais ou responsáveis por autistas para explicar sobre a condição, seus diferentes espectros e dividir experiências;
  • elaborar e compartilhar material educativo e de conscientização sobre o autismo;
  • divulgar vídeos e outros conteúdos sobre o autismo nas redes sociais, visando informar e eliminar estigmas.

Agora, o que fazer se você não é profissional da saúde ou não atua em uma instituição da área? Nossas sugestões são:

  • informe-se sobre o autismo;
  • caso conheça alguém que tenha conhecimento real sobre pessoas com TEA, proponha uma conversa sobre o assunto. Um coleguinha de seus filhos é autista? Convide os pais para falarem com outros pais. É alguém que mora no mesmo prédio? Convide seus familiares a falarem com os condôminos. Em alguns casos, o próprio autista pode participar, caso se sinta à vontade (isso é algo que os seus saberão informar e orientar);
  • compartilhe informações e a campanha sobre autismo para que mais pessoas ampliem seus conhecimentos e derrubem preconceitos.

A importância da conscientização sobre o autismo

Ainda no início deste post, mencionamos o Outubro Rosa como uma das campanhas “coloridas” que são mais conhecidas pela sociedade em geral. Tal campanha volta nossas atenções para a prevenção do câncer de mama.

O Março Marinho conscientiza sobre o câncer colorretal, o Novembro Azul sobre o câncer de próstata, o Dezembro Laranja sobre o câncer de pele. Quando o assunto é uma doença que qualquer um pode desenvolver na vida, a campanha parece mais pessoal ainda que alguns prefiram ignorar as dicas de prevenção.

Já quando o assunto é uma condição com a qual as pessoas nascem, o distanciamento da causa pode aumentar. Se você não tem TEA ou não conhece ninguém com autismo, por que deveria se importar? Vamos a alguns bons motivos.

Como mencionado, existem diferente espectros de autismo e alguns podem até passar despercebidos pela vida de uma pessoa. Outros, podem ser leves a ponto de gerar pequenas dificuldades, para a pessoa e para os demais, que poderiam ser amenizadas se alguém considerasse o autismo como possibilidade e buscasse um parecer clínico.

Indo mais a fundo, autistas com déficits de comunicação ou de comportamento mais significativos tendem a ser estigmatizados, incompreendidos e sofrerem preconceito na sociedade. Como o Abril Azul de 2020 lembra, é preciso haver respeito para todos os espectros e, para isso, você também precisa se engajar.

Conclusão

O conhecimento é uma das principais ferramentas que temos contra o preconceito e a favor de uma sociedade mais acolhedora e compreensiva. Autistas podem apresentar necessidades diferentes, mas também podem ser plenamente capazes de participarem da sociedade ― e é isso o que eles e seus pais, familiares e amigos desejam.

Com isso em mente, precisamos lembrar de que autistas não convivem somente com os seus. A sociedade da qual eles desejam participar não se restringe aos limites de suas casas ou dos grupos que frequentam. A sociedade deles é a mesma da nossa e, por isso, o Abril Azul é para todos nós!

Gostou do post? Compartilhe-o para ampliar a conscientização sobre o autismo e atuar a favor do respeito e da inclusão dos autistas!

Antes que você vá, nós da Obabox temos um pedido: se você identificou alguma terminologia inadequada ou qualquer informação que precisa ser corrigida neste post, por favor, entre em contato conosco.

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